A espaçonave Juno, da Nasa, que está na órbita de Júpiter desde 2016, sobrevoou de perto a lua Ganimedes, satélite do planeta, nesta segunda-feira (8). Ela ficou a 1.038 km de distância da superfície da lua, a maior aproximação dos últimos 20 anos, segundo a agência espacial americana.

“A Juno carrega um conjunto de instrumentos sensíveis capazes de ver Ganimedes de maneiras nunca antes possíveis”, disse o investigador principal da Juno, Scott Bolton, do Southwest Research Institute em San Antonio, em um comunicado da Nasa.

O objetivo da nave era fazer um balanço da composição do orbe de gelo e do campo magnético, entre outras medições. De acordo com Bolton, “ao voar tão perto, traremos a exploração de Ganimedes para o século 21, complementando futuras missões com nossos sensores exclusivos e ajudando a preparar a próxima geração de missões para o sistema jupiteriano.”

Lançada em 2011, Juno estava encarregada de examinar o maior planeta do nosso sistema solar, Júpiter, para entender melhor a composição e evolução do gigante gasoso, bem como suas muitas luas enigmáticas. Durante o sobrevoo, a espaçonave usou instrumentos projetados para o planeta para desvendar os mistérios de Ganimedes, supondo que tudo tenha ocorrido como planejado.

A sonda utilizou vários instrumentos como o Radiômetro de Micro-ondas (MWR), o Espectrógrafo Ultravioleta (UVS) e o Mapeador Auroral Infravermelho Joviano (JIRAM). Juno passou a 66.000 km/h, por um período de 25 minutos. Por isso, não são esperadas tantas fotos de Ganimedes.

Mas ainda assim, no comunicado da Nasa, Bolton disse que observou que diferentes partes da camada externa de Ganimedes, claras e escuras, indicando que parte do gelo pode ser mais do que apenas água congelada. A lua de Júpiter é maior do que o planeta Mercúrio, com diâmetro médio de 5.262 km, e sua superfície é predominantemente composta por rochas de silicatos e gelo de água.

Contudo, não são apenas as características visíveis de Ganimedes que interessam aos cientistas. O MWR da Juno foi configurado para emitir ondas de rádio na atmosfera da lua, na esperança de que a camada externa, chamada ionosfera, distorça levemente as ondas, uma diferença que pode ser detectada por observatórios na Terra. “Se pudermos medir essa mudança, poderemos ser capazes de entender a conexão entre a ionosfera de Ganimedes, seu campo magnético intrínseco e a magnetosfera de Júpiter”, disse Dustin Buccino, engenheiro de análise de sinais da missão Juno, no mesmo comunicado.

Além disso, o ruído nas imagens coletadas pelas câmeras da Juno será usado para discernir informações sobre o ambiente de radiação de Ganimedes, enquanto a luz visível ajudará os pesquisadores a identificar melhor as regiões de interesse na superfície.

O trabalho de Juno se baseia no da espaçonave Galileo, que orbitou Júpiter por quase oito anos e sobrevoou todas as grandes luas do planeta. Essa missão foi concluída em 2003, quando ela recebeu a ordem de mergulhar na atmosfera de Júpiter, destruindo a nave. Foi Galileo que detectou o campo magnético de Ganimedes, uma observação que levou ao trabalho da Juno hoje.

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A próxima geração de missões de Júpiter já está em movimento. O Jupiter Icy Moons Explorer (JUICE) da Agência Espacial Europeia (ESA), e o Europa Clipper da Nasa estão programados para serem lançados em 2022 e 2024, respectivamente. O cronograma prevê alcançar a órbita de Júpiter por volta de 2030, quase ao mesmo tempo em que as missões Vênus da Nasa serão lançadas. Sim, 2030 parece estar a uma eternidade, mas pelo menos — com sorte — teremos as missões lunares de Artemis tripuladas para desfrutar enquanto isso.