A Sony prepara o lançamento de mais um headphone no Brasil. O WH-XB700 está disponível desde abril nos Estados Unidos e desembarca no Brasil por R$ 699, preço aproximado dos US$ 130 (cerca de R$ 500, em conversão direta) cobrado lá fora.

O modelo renova a linha “Extra Bass” da marca (por isso o “XB” no nome) e não tem cancelamento de ruído como os modelos mais caros. A ideia é oferecer uma experiência de graves mais potentes – a própria Sony diz que é um fone para quem curte hip-hop e música eletrônica. Testei esses fones durante as duas últimas e conto aqui minha experiência.

Design


Começando pelo visual, curti bastante a aparência discreta, apesar da cara de fones baratos pela construção de plástico. Ele é preto fosco e relativamente pequeno – não ficou um monstro na minha cabeça. A haste tem uma parte de metal em cima, que reforça o plástico que dá a sustentação. É um headphone bem leve e que, ao contrário de outros modelos que testei, ficam confortáveis na cabeça.

As conchas também não são tão grandes, o que significa que eles não vão ficar ao redor de suas orelhas, mas sobre elas. Pode parecer desconfortável, mas o acolchoado é bem macio. Esse design com conchas menores me agradou porque uso óculos e, em outros fones, eles pressionam as hastes e machucam um pouco – neste modelo, eu consigo colocar as hastes por cima das conchas e ser feliz.

Apesar de o fone não ter cancelamento de ruído, o design faz um bom trabalho de isolar o barulho do ambiente. Não é preciso aumentar demais o volume para se sentir imerso na música.

Curtindo um grave potente


Este é um fone para quem, como eu, curte um grave potente. Ouço bastante rap, então é um casamento que vai bem. Não é como se os agudos e médios desaparecessem, mas eles não são tão privilegiados.

É importante notar também que eu não sou um audiófilo com carteirinha e tudo – gosto bastante de ouvir música e conseguir escutar cada instrumento com clareza; experiência que eu tive com esses fones. Consigo ter ainda mais clareza no som ouvindo com meus fones regulares (um Creative Aurvana Trio, que tem fios), mas com um tempo de uso me adaptei bem ao estilo do WH-XB700.

No aplicativo, defini o Clear Bass no nível 7, que realça bastante as batidas graves – ficou bem interessante para ouvir rap e pop internacional. Quando eu estava num humor diferente e partia para outros gêneros, ia no aplicativo e diminuía um pouco a configuração – e, justamente por isso, realmente queria poder customizar o botão “custom”.

Voltando para o design

Na concha direita estão os botões de play/pause e controle de volume. Eles têm um relevo bem proeminente que facilita entender qual é qual ao passar o dedo por cima, além de terem uma resposta tátil bem marcada. Do outro lado estão o botão liga/desliga e o botão “custom” que, em tese, deveria permitir a configuração de diversas funções. Na real, ele só permite que você escolha qual assistente de voz prefere usar: a assistente padrão do celular (Siri, no meu caso) ou o Google Assistente (com suporte ao português) ou a Amazon Alexa (português em breve, segundo o app).

Confesso que não usei essa função, já que eu não costumo interagir com as assistentes de voz pelo celular. Fiquei decepcionado, no entanto, de não poder escolher outras funções para o tal botão. Queria alternar entre os modos surround ou poder ligar e desligar o Clear Bass.

Bateria de sobra

Ainda na concha esquerda há a entrada para o cabo USB-C, um upgrade muito bem-vindo tanto por se adequar ao novo padrão, além da entrada P2 para quando você quiser ouvir com fios. A adição do USB-C significa também a chegada da tecnologia de carregamento rápido que, segundo a Sony, adiciona uma hora e meia de autonomia com apenas 10 minutos na energia – números que não me surpreenderam.

Falando em autonomia, a Sony promete 30 horas de reprodução com 100% de bateria. Eu costumo ouvir duas horas de música por dia nos fones e, de fato, só preciso carregá-lo uma vez em duas semanas. Curti bastante não ter que me preocupar com a bateria.

Dando uma olhada no software

O WH-XB700 precisa do aplicativo da Sony para funcionar por completo – mas você mal abrirá o app depois da primeira configuração. Ele permite checar o nível de bateria dos fones, configurar os modos Surrond (que, sinceramente, não são muito legais e distorcem bastante as músicas), o nível do Clear Bass, a posição do som, o modo de qualidade, o idioma e a funcionalidade do botão “custom”.

É um app simples e direto e eu achei bem fácil de configurar, com exceção da escolha dos idiomas – passei alguns dias usando o fone em português de Portugal, porque a lista das línguas não é organizada em ordem alfabética.

Conexão e ligações

A conexão é rápida e não demora nem um segundo para eles se conectarem ao celular depois de ligados – pelo menos na experiência que tive com o iPhone. Os fones possuem o Bluetooth 4.2, mas possuem um defeito gigantesco: não há suporte para conexão “simultânea” entre vários dispositivos. Isso quer dizer que eu não consigo alternar com facilidade entre o meu celular e computador usando os fones, o que é muito, muito chato. Se eu quiser usar os fones no meu notebook, preciso desconectá-los completamente do celular – e, olha, essa não é uma funcionalidade difícil de se incluir (manda uma atualização de software aí, Sony!).

Por fim, o único problema que eu tive com o WH-XB700 foi em ligações. Os microfones não parecem ser tão bons – possuem um som bem abafado. Consegui fazer ligações com eles e tudo correu bem quando o ambiente era relativamente silencioso. Agora, no metrô, com o sinal mais fraco e mais barulho, as pessoas simplesmente não me ouviam – era preciso alternar para o alto-falante do telefone para finalmente conversar.

Me livrar dos fios por duas semanas e curtir um grave potente foi bem bacana. São fones interessantes para quem curte graves e que está começando a se aventurar nesse mundo sem fio, especialmente pelo preço bem próximo do praticado no exterior.