Muito se fala sobre privacidade digital e como as gigantes da tecnologia usam nossos dados para fazer sugestões em nossas timelines. Além das já conhecidas redes sociais, você sabe quanto de seus dados pessoais o Tinder e Spotify têm?

Todas aquelas indicações sugeridas são feitas por algoritmos como bem sabemos e, apesar de parecer que o streming de música e o app de namoro não são tão “perigosos” quanto as redes sociais, eles são.

Pesquisadores da Universidade de Auckland tentaram entender como funcionam os algoritmos do Spotify e do Tinder e segundo eles, não foi nada fácil.

Spotify é um serviço de música com mais de 180 milhões de assinantes premium. O Tinder é um aplicativo de namoro disponível em mais de 190 países, ou seja: existe uma cadeia imensa de dados de usuários, mas quais dados e o que exatamente esses aplicativos estão fazendo para prender seus clientes em suas plataformas.

Realizada pelo Dr. Fabio Morreale, School of Music, e Matt Bartlett e Gauri Prabhakar, School of Law, a pesquisa foi publicada no Journal of the Royal Society of New Zealand e revelou que os termos de política e privacidade dos algoritmos utilizados por esses dois aplicativos, não foi feito para serem analisados ou até entendidos.

“Apesar de sua poderosa influência, há poucos detalhes concretos sobre como exatamente esses algoritmos funcionam, então tivemos que usar maneiras criativas para descobrir”, disse Morreale.

Spotify

A pesquisa produziu resultados interessantes. Por exemplo, as Políticas de Privacidade do streaming de música revelam que a empresa coleta muito mais informações pessoais do que costumava fazer anos atrás.

“Na iteração de 2012 de sua Política de Privacidade, as práticas de dados do Spotify incluíam apenas informações básicas: as músicas que um usuário toca, listas de reprodução que um usuário cria e informações pessoais básicas, como endereço de e-mail do usuário, senha, idade, sexo e localização”, explicou Morreale.

Já a política escrita no ano passado, mostra que o Spotify tem permissão para coletar fotos dos usuários, dados de localização, dados de voz, dados de som de fundo e até variedades adicionais de informações pessoais.

A versão atual também afirma que “o conteúdo que você visualiza, incluindo sua seleção e colocação, pode ser influenciado por considerações comerciais, incluindo acordos com terceiros”.

Ou seja: aquela lista de indicações “aleatórias” fora dos seus gostos musicais, nada mais é que o Spotify te fazendo consumir o que ele quer.

“Em suas recomendações (e playlists para esse assunto), é provável que o Spotify também esteja empurrando artistas de gravadoras que detêm ações do Spotify – isso é anticompetitivo e devemos saber disso”, dizem os pesquisadores”, ressalta Morreale.

Tinder

Outro objeto da pesquisa foi um dos apps de relacionamento mais populares do mundo, o Tinder. Apesar de não parecer, segundo Bartlett, um dos coautores da pesquisa o Tinder é “um grande algoritmo”.

Ainda de acordo com Bartlett, o app de namoro parece não querer falar para as pessoas como trabalham seus algoritmos.

“O Tinder afirmou anteriormente que combinava pessoas com base em ‘pontuações de conveniência’ calculadas por um algoritmo. Acho que os usuários não entendem ou sabem completamente como o algoritmo do Tinder funciona, e o Tinder faz de tudo para não nos contar”, disse o pesquisador e continuou “Isso não quer dizer que isso seja uma coisa ruim – o problema é que eles não são transparentes sobre como a correspondência ocorre. Na minha opinião, os Termos de Uso devem especificar isso”.

No fim, os pesquisadores não conseguiram descobrir realmente como funcionam os algoritmos dessas plataformas, mas mostraram a magnitude desse problema em geral. Essas duas empresas, e muitas outras, não estão sendo transparentes sobre suas práticas de coleta de dados.

“Com essas poderosas plataformas digitais possuindo uma influência considerável na sociedade contemporânea, seus usuários e a sociedade em geral merecem mais clareza sobre como os algoritmos de recomendação estão funcionando. É uma loucura que não podemos descobrir; Acho que no futuro vamos olhar para trás e ver isso como o Velho Oeste da grande tecnologia”, enfatizou ”, Morreale.

Leia também: Como sumir para sempre do Tinder.