Um Tesla sedã com o modo piloto automático ativo bateu em um carro da polícia que estava estacionada em Laguna Beach, na Califórnia, nesta terça-feira (29). De acordo com a reportagem da Associated Press, o acidente causou “ferimentos leves” ao motorista. O policial encarregado pela viatura estava fora do veículo na hora da batida e não se feriu.

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Segundo o USA Today, o homem que estava dirigindo o Tesla disse ter ativado o modo piloto automático antes do acidente – o mais recente envolvendo esse modo, que já falhou outras vezes:

[O sargento da polícia Jim Cota] disse que o carro elétrico de luxo bateu praticamente no mesmo local em que outro Tesla sofreu um acidente, há cerca de um ano. O motorista, segundo ele, apontou que o sistema de Piloto Automático estava ativo.

O acidente acontece justamente no momento em que a Tesla tem suas funcionalidades de piloto automático investigadas. Em março, um motorista morreu quando o seu Model X SUV cruzou um canteiro central em Mountain View, na Califórnia, enquanto utilizava a funcionalidade. Outro motorista, em Salt Lake City, ficou ferido em uma batida quando seu carro atingiu um caminhão dos bombeiros que estava parado. Em ambos os casos, a Tesla diz que conseguiu identificar em seus registros que os motoristas estavam distraídos ou ignoraram os alertas do veículo para tomar o controle.

A Tesla tem enfatizado que o seu sistema de piloto automático tem como objetivo apenas dar assistência, e não substituir, um motorista humano atento. Além disso, a companhia diz que o modo exige que os motoristas aceitem um termo que explica como se deve utilizar a ferramenta, antes que ela seja ativada.

A empresa insiste ainda que os acidentes são, primariamente, resultados de erros humanos, e não da funcionalidade do piloto automático em si. Em um comunicado enviado ao USA Today, a montadora escreveu que “ao usar o piloto automático, os motoristas são constantemente lembrados de suas responsabilidades em manter as mãos no volante e manter o controle do veículo a todo o tempo”.

A cena envolvendo o veículo Tesla rodando o modo piloto automático em Laguna Beach, Califórnia, no dia 29 de maio de 2018. Foto: AP

Na semana passada, a Tesla resolveu uma ação judicial em que consumidores alegavam que a função de piloto automático semi-autônoma era “essencialmente inutilizável e comprovadamente perigosa”. Segundo a Reuters, o acordo de US$ 5 milhões eliminou qualquer uso da palavra “perigoso” do processo e recompensará os consumidores com uma quantia irrisória entre US$ 20 a US$ 280, além de se comprometer com a atualização dos recursos de piloto automático do Model S e Model X sem a cobrança de novas taxas.

O acordo fez com que a Tesla recuasse em seu posicionamento com a imprensa sobre o caso. Anteriormente, a companhia afirmava que os acidentes envolvendo seus veículos foram noticiados de forma “insincera”, “imprecisa” e “sensacionalista”.

Em abril, a Bloomberg noticiou que algumas pessoas começaram a ficar cada vez mais céticas em relação às afirmações da Tesla de que o modo piloto automático teria reduzido colisões em 40%. Elas afirmam que a empresa deturpou dados da National Highway Traffic Safety Administration (Administração Nacional de Segurança Rodoviária dos EUA, equivalente ao Contran no Brasil), que nem tinham sido completamente revelados ao público.

Em maio, a agência de trânsito se distanciou publicamente do uso das estatísticas realizado pela Tesla. Um outro estudo conduzido pela Insurance Institute for Highway Safety aponta um dado muito mais modesto, de 13% de redução de colisões. O porta-voz do instituto disse à Bloomberg que eles não poderiam atribuir a queda a nenhuma funcionalidade dos veículos da Tesla. O CEO da montadora, Elon Musk, se comprometeu a liberar dados de segurança do piloto automático regularmente, segundo o Verge.

Embora os engenheiros digam que os carros autônomos provavelmente serão mais seguros do que os pilotados por humanos – os humanos são, em conjunto, péssimos condutores –, as pessoas não estão muito convencidas. Uma pesquisa recente da AAA, que coletou dados de abril de 2018, descobriu que 73% dos entrevistados não confiavam nos carros autônomos após uma série de acidentes envolvendo o recurso de piloto automático da Tesla e um acidente fatal em março, envolvendo um veículo autônomo do Uber.

[AP/USA Today]

Imagem do topo: AP