Ficar quinze minutos debaixo d’água a 5ºC é uma experiência assustadora e, possivelmente, que levaria à morte certa alguém com dois anos de idade. Essas simplesmente não são condições em que crianças geralmente sobrevivem. Mas um tratamento controverso pode ter salvo a vida de Eden Carlson.

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A menina caiu na piscina de sua família em fevereiro de 2016, de acordo com a Newsweek, e apareceu quase em coma no hospital em Arkansas, com uma temperatura corporal de 29,5ºC. Depois de 35 dias no hospital, ela ainda não respondia, estava imóvel e apresentava lesões na matéria cinza e branca do cérebro, as partes externa e interna. Então, o Dr. Paul G. Harch, da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado da Louisiana, deu-lhe oxigênio puro para respirar, tanto em pressão normal quanto em uma câmara de alta pressão.

Após 162 dias e 40 sessões na câmara de tratamento de oxigênio hiperbárico de alta pressão (HBOT), Harch relatou que Carlson conseguia andar e que grande parte do dano cerebral tinha revertido. O relatório do caso não menciona estudos de acompanhamento, mas incluiu este vídeo:

Esse é apenas um relatório de caso único, publicado na Medical Gas Research por um defensor da terapia com HBOT, então há motivos para cautela. Não é um teste clínico de muitos casos e não compara o HBOT com uma alternativa ou com tratamentos existentes. Mas parece que, nesse caso, a terapia poderia realmente ter levado a uma reversão do dano cerebral da menina.

O HBOT continua sendo uma terapia controversa. Provou-se benéfica em tratamento de intoxicação por gás, certas infecções e doença da descompressão, os sintomas enfrentados pelos mergulhadores que experimentam mudanças de pressão muito rápidas e sofrem com bolhas de gás em seu corpo. Estudos falhos mostraram que pode haver um possível benefício para aqueles com feridas crônicas, como úlceras nos pés em pacientes diabéticos. Mas o próprio site de Harch a chama de “medicina alternativa comprovada“. O tratamento foi sugerido para outras doenças neurológicas, e, embora existam algumas histórias, existem poucas provas de sua eficácia.

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Ressonância magnética aos 3, 31 e 162 dias depois do afogamento (Imagem: Paul Harch)

A FDA (órgão americano de controle de alimentos e medicamentos) adverte que a HBOT não foi estabelecida como um tratamento seguro ou eficaz para a doença de Alzheimer, depressão, paralisia de Bell, lesões esportivas e uma longa lista de outras doenças para as quais alguns afirmam que a terapia funciona. A FDA se preocupa com o fato de os pacientes renunciarem às terapias apropriadas a favor da HBOT, potencialmente piorando as condições. A FDA também não recomenda a HBOT para o autismo, outra ideia comum.

É bem claro a partir do vídeo que Eden Carlson se recuperou. É provável que a HBOT tenha desempenhado algum papel nisso. Mas a ciência, especialmente a ciência médica, segue um movimento lento, e demora um pouco para que novos tratamentos sejam aprovados. Entretanto, as pessoas podem recomendar tais tratamentos para doenças que eles não tratam, ou para as quais as provas não são suficientes. Basta olhar para a pesquisa de microbiomas intestinais, outro campo em que as constatações parecem estar se movendo mais rápido do que a ciência.

Em todos esses casos, o melhor que você pode realmente fazer é dizer: “Uau, é incrível”. Mas a HBOT provavelmente continuará sendo uma terapia controversa até provas mais substanciais aparecerem.

[Medical Gas Research via Newsweek]

Imagem do topo: OpenStax College/Wikimedia Commons