Atualizado às 15h10

O primeiro tuíte do dia do presidente dos EUA, Donald Trump, acusou o Google de modificar seus resultados de busca para políticos conservadores. As acusações, sem evidências, de que empresas como Facebook e Twitter conspiram contra esses políticos são comuns, mas o Google não costuma entrar no balaio das reclamações.

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“Os resultados do Google para ‘Trump News’ [algo como ‘notícias sobre o Trump’] mostram apenas a visão e as matérias das empresas de notícias falsas. Em outras palavras, eles manipulam, para mim e para outros, de modo que todas as histórias e notícias são negativas. A fake CNN é proeminente. A mídia republicana/conservadora e justa é excluída. É ilegal?”, postou Trump.

O final do primeiro tuíte do presidente norte-americano começou com uma porcentagem, e seu tuíte seguinte descreveu o “perigo” que o Google representava por “suprimir vozes de conservadores.”

“Noventa e seis porcento dos resultados sobre Trump News são da mídia esquerdista, muito perigosa. Google e outros estão suprimindo vozes de conservadores e ocultando informações e notícias que são boas. Eles estão controlando o que podemos e o que não podemos ver. Isso é muito sério e será algo a ser abordado!”, concluiu o presidente dos EUA.

A primeira coisa que os usuários veem ao buscar “Trump news” em uma janela anônima é uma notícia da Fox News:

Crédito: Captura de tela

O presidente Trump pode não gostar de notícias sobre ele, mas o seu advogado pessoal, Michael Cohen, foi declarado culpado em uma série de acusações e disse que o presidente pediu que ele fizesse pagamentos ilegais antes das eleições presidenciais de 2016.

Os resultados mais abaixo, em ordem, incluem uma matéria da Fox News que diz que Michael Cohen foi fonte da CNN, depois uma matéria da Fox News sobre Peter Thiel elogiando Trump por sua “honestidade”, e uma matéria da New Yorker sobre o presidente Trump ser “doido”.

Políticos conservadores, como o senador pelo Texas Ted Cruz, também já reclamaram que personalidades de direita são silenciadas em plataformas como o Twitter e o Facebook, mas essa é a primeira vez que o presidente Trump ameaçou fazer algo sobre isso. Os comentaristas conservadores Diamond & Silk chegaram até a testemunhar no Congresso dos EUA em abril, mas as coisas ficaram rapidamente esquisitas. Os dois apoiadores de Trump negaram que eles tinham sido pagos pela campanha de Trump, algo que contradiz os documentos da Federal Election Commission (Comissão Federal de Eleição). Os dois receberam um total de US$ 1.274,94 em 2016.

O presidente Trump ameaçou uma série de companhias norte-americanas. Já entraram no rol de reclamações do presidente o Washington Post, a Amazon e a Harley Davidson. Mas será interessante ver o que ele poderá fazer para punir (ou ameaçar) o Google. Diferentemente da Apple, o Google não tem estado muito próximo de Trump neste ano. Tim Cook, CEO da companhia da maçã, recentemente se encontrou com o presidente na Casa Branca, e houve relatos de que Trump prometeu não aumentar a tarifa de produtos da Apple como ele fez com outras companhias.

Em um comunicado enviado à rede CNBC, o Google se defendeu das acusações de Trump. “Quando usuários digitam na barra de busca do Google, nosso objetivo é assegurar que eles recebam as respostas mais relevantes em uma questão de segundos”, disse um porta-voz do empresa. “A busca não é usada para uma agenda política e nós não enviesamos nossos resultados para qualquer espectro político. Todo ano, nós lançamos centenas de melhorias aos nossos algoritmos para que tenhamos certeza que eles abrangem conteúdo de qualidade em resposta às solicitações dos usuários. Nós continuamos a trabalhar para melhorar a busca do Google e nós nunca vamos ranquear os resultados de busca para manipular um sentimento político.”

Imagem do topo: Getty