O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (14) que a Casa Branca vai suspender imediatamente o financiamento destinado à Organização Mundial de Saúde (OMS). A notícia do congelamento surge em meio ao crescimento de casos confirmados de coronavírus nos EUA e no mundo – atualmente em mais de 608.000 e 2 milhões, respectivamente.

Trump afirmou que a OMS é tendenciosa a favor da China, que supostamente teria abafado as notícias da propagação do vírus na província de Wuhan antes de passar a adotar as táticas mais pesadas de combate à doença, como a quarentena obrigatória, à medida que a escala da ameaça se tornava clara.

Para o mandatário dos EUA, a OMS cedeu à pressão do governo chinês, não desafiando a narrativa de que a situação estava sob controle. Os EUA financiaram a OMS com US$ 453 milhões no ano fiscal de 2019. Um importante funcionário da administração Trump disse ao Wall Street Journal que a Casa Branca está discutindo para onde esse dinheiro pode ir agora.

Trump disse que o nível atual de financiamento será retido enquanto os EUA completam um relatório sobre o que ele chamou de “má gestão e cobertura da propagação do coronavírus” por parte da OMS, acrescentando que se os seus especialistas tivessem repreendido o governo chinês por reter informações, o vírus “poderia ter sido contido na sua fonte com muito pouca morte.”

Na realidade, reportagens indicaram que Trump resistiu aos esforços iniciais para pressionar a China sobre o assunto, a fim de evitar antagonizá-los durante as negociações comerciais. Embora a deferência da OMS para as nações que depende de financiamento e acesso seja de fato uma falha importante no sistema multilateral de saúde, isso de forma alguma desculpa a falta de preparação da Casa Branca quando o vírus se espalhou pelos Estados Unidos.

A ideia de que os EUA não tinham ideia de que o vírus poderia se tornar uma crise por culpa da OMS é risível – havia relatórios e relatórios indicando que o governo sabia que o coronavírus representava um risco grave, mesmo quando Trump o ignorou e subestimou em público.

Retirar o financiamento da OMS, que atualmente está fazendo desde a distribuição de centenas de milhares de kits de teste até a coordenação de pesquisas médicas críticas em meio a pandemia, só deve piorar a situação. É possível que se o governo chinês tivesse reconhecido a extensão do problema mais rapidamente, a propagação inicial fosse reduzida significativamente – porém, não é possível saber se isso faria com que os outros países se preparassem melhor.

“Neste momento, há um esforço muito coordenado entre a Casa Branca e os seus aliados para tentar encontrar bodes expiatórios para os erros fatais que o presidente cometeu durante as primeiras fases deste vírus”, disse à CNN o senador democrata Chris Murphy. “É extremamente irônico que o presidente e os seus aliados estejam criticando a China, ou a OMS por ter sido branda com a China, quando na realidade foi o presidente que foi o principal apologista da China durante as fases iniciais desta crise.”

Democratas no Senado já afirmaram que a Casa Branca não tem o poder de suspender arbitrariamente o financiamento da OMS, mas o presidente afirmou que tem “total” autoridade para ordenar o que quiser durante a emergência. Segundo o WSJ, a administração está discutindo possíveis métodos para contornar o Congresso, reencaminhando o dinheiro para “outros programas de saúde”.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, denunciou o congelamento, segundo o WSJ, afirmando que “não é o momento de reduzir os recursos para as operações da Organização Mundial de Saúde ou de qualquer outra organização humanitária na luta contra o vírus.”