O Twitter mais uma vez adicionou uma sinalização aos tuítes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Desta vez, a rede social incluiu um link indicando “mídia manipulada” em um vídeo que Trump publicou na noite de quinta-feira (18).

O material começa com um GC (como são chamados no jargão técnico da TV a “manchete”) falso da CNN com uma chamada que diz “criança apavorada corre de bebê racista”. O vídeo procede com um corte dizendo “o que realmente aconteceu” e mostra as duas crianças se abraçando e segue com um texto que diz que “a América não é o problema, as fake news que são.”

O vídeo, completamente editado, nunca foi veiculado pela CNN com a tal chamada indicada no post de Trump, que sempre que pode faz ataques à imprensa. O Twitter adicionou uma sinalização indicando “mídia manipulada” pouco depois da publicação.

Tuíte de Trump com vídeo marcado como "mídia manipulada"

Duas horas depois da publicação do vídeo, Trump postou outro material com um GC falso atribuído à CNN. Este tuíte, no entanto, não foi sinalizado pela rede social.

Anteriormente, o Twitter adicionou um link para checagem de fatos em uma publicação em que Trump insinuava que os democratas cometeriam fraudes nas eleições por correios e escondeu outra publicação que incentivava a violência contra manifestantes que exigiam justiça pelo assassinato de George Floyd.

Mais recentemente, um vídeo de campanha de Trump foi removido do Twitter por infringir direitos autorais. Esse mesmo material foi removido do Facebook, pelos mesmos motivos. Outras publicações de Trump continuar intactas no Facebook, com exceção de um anúncio publicitário de campanha de Trump que mostrava um símbolo de um campo de concentração nazista e pedia para que as pessoas comentassem se mostrando a favor de declarar o “grupo antifa” uma organização terrorista.

As iniciativas do Twitter começaram há pouco tempo e estão relacionadas com a profusão de conteúdos falsos publicados sobre a pandemia do coronavírus. A rede social anunciou que adotaria uma nova abordagem para desinformação relacionada à pandemia do coronavírus.

Essa abordagem definiu métricas nas quais os moderadores do Twitter determinam se uma declaração é enganosa, contestada ou não verificada, depois a combinarem com uma classificação de “propensão a danos” para determinar se o tuíte seria rotulado, removido, ignorado ou resultaria em um aviso para o usuário.

O Twitter identificou duas categorias em que os tuítes podem receber um rótulo: aqueles com “informações enganosas” ou uma “reclamação contestada” com uma propensão moderada para o dano. A rede social disse que poderia expandir essa rubrica para cobrir outras questões, além da pandemia. Há ainda as diretrizes da companhia para integridade eleitoral.

Desde que suas publicações começaram a ser rotuladas, Trump passou ameaçar a regulação de empresas de mídias sociais. Ele também assinou uma ordem executiva que pretende alterar radicalmente os princípios fundamentais da internet moderna, especificamente encarregando a Comissão Federal de Comunicações (FCC) de investigar se as empresas de tecnologia estão usando decisões de moderação como pretexto para assediar, banir e censurar conservadores – especialistas, no entanto, indicaram que ela não teria poder legal.