Os testes de fase 1 e 2 da vacina contra COVID-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford mostraram resultados muito promissores, induzindo reação autoimune contra coronavirus sem perigos de segurança. Um artigo publicado na revista Lancet detalha os ensaios clínicos feitos com 1.077 voluntários para a vacina que hoje está na fase 3 de testes, a última antes de ser disponibilizada para a população.

A vacina que vem sendo desenvolvida pela Jenner Institute da Universidade de Oxford usa um vírus (ChAdOx1) criado a partir do adenovírus que causa resfriado em chimpanzés. Ele foi modificado geneticamente para produzir a proteína spike que o SARS-CoV-2 usa para se ligar e infectar as células humanas. Na prática, a vacina reproduz características do coronavírus e faz com que o sistema imune aprenda a atacá-lo.

Para ser efetiva, uma vacina precisa induzir uma resposta de anticorpos e de células-T, que ajudam a encontrar as células que foram infectadas. Esta vacina, a ChAdOx1 nCoV-19, teve sucesso em induzir essas respostas.

Os níveis de células-T tiveram um pico após 14 dias da aplicação e os níveis de anticorpos em 28 dias. O estudo ainda não conseguiu determinar por quanto tempo exatamente essa resposta imunológica dura, mas as respostas continuaram presentes até o dia 56 dos testes que continuam acontecendo.

O estudo mostrou que 90% das pessoas desenvolveram anticorpos neutralizantes depois de apenas uma dose aplicada. Apenas 10 pessoas tomaram duas doses da vacina e todas elas produziram anticorpos neutralizantes.

O artigo aponta que a vacina é segura, mas que pessoas apresentaram efeitos colaterais leves: 70% desenvolveram fadiga ou dor de cabeça. Por isso, os pesquisadores receitaram paracetamol. Os testes da fase 1 e 2 são feitos exatamente para checar se a vacina é segura. Somente na fase 3 que é comprovada a eficácia de prevenir COVID-19.

A fase 3 de testes desta vacina envolve 30.000 pessoas nos Estados Unidos, 10.000 no Reino Unido, 5.000 no Brasil e 2.000 na África do Sul. Os testes devem ser finalizados antes do final deste ano, mas ainda não há informações sobre a disponibilidade em larga escala para a população – os pesquisadores apontam que ela pode ser utilizada para prevenir a infecção, começando em populações de alto risco como profissionais da saúde e pessoas com mais de 65 anos.

Outras vacinas como a do grupo Sinovac Biotech, que está sendo testada em São Paulo, estão em caminhos promissores. Outra opção desenvolvida pela empresa de biotecnologia BioNTech e pela farmacêutica Pfizer deve entrar na fase 3 de testes.

Brasil tem parceria com Oxford para esta vacina

O Ministério da Saúde anunciou em junho uma parceria que compreende a compra de lotes de vacina e transferência de tecnologia da vacina de Oxford. Caso a eficácia da vacina seja comprovada, o Brasil terá ao todo 100 milhões de doses.

Na primeira, o País paga por 30,4 milhões de doses de vacina, com valor total de US$ 127 milhões, mesmo sem ter certeza da eficácia. Virão dois lotes de doses de princípio ativo com 15,2 milhões cada, previstos para serem entregues em dezembro de 2020 e janeiro de 2021, respectivamente.

Na segunda, caso a vacina tenha eficácia comprovada, o governo brasileiro comprará outros 70 milhões de doses, com o preço unitário de US$ 2,30, totalizando um gasto de US$ 161 milhões.