Ao menos desde 2016, defensores de direitos humanos, líderes religiosos, jornalistas e advogados de mais de 40 países têm sido espionados pelo Pegasus, software de spyware (programa de espionagem) da empresa de vigilância israelense NSO Group.

A informação vem de um vazamento investigado por um consórcio de 17 jornais, incluindo o The Guardian, Washington Post e Le Monde.

A NSO vende o software afirmando que seus alvos são criminosos e terroristas, mas seu uso era indiscriminado por vários países.

O Pegasus infecta smartphones tanto com iOS quanto Android, permitindo que os operadores extraiam mensagens, arquivos, gravem chamadas e ativem microfones sem serem notados.

Brasil flertou com Pegasus

Embora o Brasil não apareça nas reportagens, em maio deste ano Carlos Bolsonaro quis trazer o Pegasus para o Brasil por R$ 25,4 milhões. Carlos negou, com ironia, ter se envolvido com a proposta, mas ela aparece no edital de licitação do Ministério da justiça de nº 03/21.

A ideia gerou uma crise política entre o clã Bolsonaro e o comando militar do Gabinete de Segurança Institucional. Logo após a notícia vir a público, a empresa deixou a licitação

A extensão da espionagem

As reportagens revelam que há mais de 50 mil números de telefone, distribuídos em mais de 40 países, que seriam de interessados em clientes da NSO desde 2016,

Por ora, na lista não há nomes específicos, mas sabe-se que os 180 jornalistas investigados são da CNN, New York Times, Al Jazeera e outros meios. A maioria deles está em países como Hungria, Índia, México e na maioria dos países do Oriente Médio.

De acordo com o The Guardian, o jornal e os parceiros de mídia irão revelar a identidade das pessoas cujo número apareceu na lista dentro dos “próximos dias”. São eles: executivos de negócios, figuras religiosas, acadêmicos, funcionários de ONGs, dirigentes sindicais e funcionários do governo, incluindo ministros e presidentes.

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Dentre os investigados há o número de telefone do repórter freelance mexicano, Cecilio Pineda Birto. Ele estava entre as dezenas de jornalistas mexicanos selecionados como “candidatos” para vigilância durante um período de dois anos.Poucas semanas depois, o repórter foi assassinado em um lava-jato. Além dele, está na lista de potenciais espionados a esposa do jornalista Jamal Khashoggi, morto por um esquadrão saudita em 2018.

[BBC News] [O Globo] [Poder360]