Chega ao Brasil na próxima semana o programa de verificação de notícias do Facebook, que passou a ser implementado no exterior no ano passado. Por aqui, o trabalho de checagem será conduzido por duas agências independentes, a Aos Fatos e a Agência Lupa.

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Ambas terão acesso às notícias denunciadas por usuários para analisar sua veracidade. Aquelas que tiverem seu conteúdo classificado como falso terão seu alcance orgânico no feed de notícias reduzido “de forma significativa”, segundo um blog post do Facebook.

As notícias identificadas como falsas não poderão ser impulsionadas pelas páginas, que, por sua vez, podem ter todo seu alcance diminuído caso sigam compartilhando conteúdos duvidosos.

A redução de alcance não é a única medida prática. Os posts marcados negativamente poderão ainda ser acompanhados de textos feitos pelas agências, dando mais contexto sobre o conteúdo para ajudar os usuários a discernirem melhor as notícias falsas das verdadeiras.

Além disso, sempre que alguém tentar compartilhar uma nota classificada como falsa, essa pessoa receberá um alerta, avisando que aquele conteúdo teve sua veracidade questionada pelas agências.

Imagem: Facebook

Em ano eleitoral, a implementação do recurso se torna, mais do que oportuno, imprescindível. Isso em teoria, caso a checagem consiga alcançar na prática o objetivo que se desenhou no papel. O Facebook afirma que o mecanismo possibilitou “cortar em até 80% a distribuição orgânica de notícias consideradas falsas por agências de verificação parceiras nos Estados Unidos”. Já é um começo, mas não suficiente em si.

Desde o ano passado, os verificadores contratados pela rede social nos EUA têm demonstrado sua insatisfação com o Facebook, denunciando a insuficiência dos dados fornecidos pelo site a eles, além da falta de transparência sobre a eficácia dos esforços, ignorando também sugestões e pedidos para melhorar o processo. Alguns foram bastante contundentes, com um deles afirmando: “Não sinto que está funcionando nem um pouco. A informação falsa ainda está viralizando e se espalhando rapidamente”.

Os repórteres verificadores de fatos acreditam que a empresa os explorou como parte de uma campanha publicitária, e, se o Facebook quiser provar que eles estão errados, precisará trazer resultados sólidos para corroborar o discurso que ouvimos agora, na implementação do programa no Brasil. As eleições serão uma arena repleta de material falso para se provar isso.

Imagem do topo: Exemplo em inglês de como aparecerá link marcado como duvidoso no Facebook. Crédito: Facebook