As redes 5G estão chegando ao Brasil sem mesmo termos um leilão de frequência. As empresas têm usado uma tecnologia da Ericsson que, de forma simplificada, possibilita usar a estrutura de 3G e 4G para liberar internet de quinta geração.

Nesta quarta-feira (15), foi a vez da Vivo anunciar sua rede 5G no mercado local, que estará disponível em regiões específicas de oito cidades brasileiras. Segundo a operadora, até o fim de julho, haverá transmissão em:

  • São Paulo (regiões da Av. Paulista, Vila Olímpia e Berrini)
  • Brasília (regiões do Eixo Monumental, Esplanada do Ministérios e Shoppings)
  • Belo Horizonte (regiões de Savassi e Afonso Pena)
  • Salvador (regiões de Pituba e Itaigara)
  • Rio de Janeiro (Copacabana, Ipanema e Leblon)
  • Goiânia (região central da cidade)
  • Curitiba (regiões do Centro Cívico/Alto da Glória e Batel/Água Verde)
  • Porto Alegre (regiões do Moinhos de Vento, Av. Carlos Gomes e Shopping Iguatemi)

Como no anúncio recente da Claro, a Vivo utiliza o 5G DSS (Dynamic Spectrum Sharing, ou Compartilhamento Dinâmico de Espectro). Aparelhos compatíveis com 4G e 4.5G funcionam normalmente, enquanto dispositivos 5G que atuam nessa frequência recebem conexão 5G.

Até o momento apenas o Motorola Edge, lançado recentemente, conta com esta tecnologia (importante lembrar que a versão mais sofisticada, o Motorola Edge+, não suporta o 5G DSS). No entanto, em comunicado, a Vivo fala que “nos próximos meses [a operadora] deve ampliar a oferta com pelo menos mais dois modelos Samsung” e que “neste momento, a maior oferta de smartphones estará concentrado no segmento premium dos fabricantes”.

Se fosse chutar, eu diria que serão os novos Galaxy Note, previstos para serem anunciados em agosto. No entanto, só esperando para ver mesmo.

Moto EdgePor ora, só o Moto Edge é compatível com redes 5G DSS. Crédito: Motorola

5G pero no mucho

Em seu anúncio via comunicado, a Vivo fez questão de contextualizar a tecnologia 5G e dizer que este é apenas um primeiro passo para a implementação. Diz a operadora (grifo nosso):

“A maior parte dos países no mundo com redes comerciais 5G tem optado por frequências de 3,5GHz/ 3,4 GHz ou 28 GHz, com espectro 100% dedicado. (…) No Brasil, a real experiência de 5G virá com o leilão de 3,5 GHz, com largura de banda de pelo menos 100 MHz, provavelmente a ser realizado no início de 2021.”

O recado é mais ou menos este: “este 5G DSS é bom, mas o que está por vir ainda é melhor”. Para acontecer isso, deve haver o leilão de frequências (que já foi adiado algumas vezes) e será necessário instalar muito mais antenas. A regra é que quanto maior a frequência usada, mais estações devem ter para uma boa cobertura. À título de comparação, as redes 4G ficam com frequências de 2,5 GHz ou abaixo; no 5G, estamos falando de 3,5 GHz ou mais.

De modo resumido, o 5G promete uma velocidade de transmissão mais alta e uma menor latência (tempo de resposta). Como explica a Vivo, o 4G tem latência próxima de 80 milissegundos, enquanto o 5G tem até 1 milissegundo. Na prática, isso quer dizer que, ao jogar online numa rede dessas, não haverá atrasos entre o comando do game e a ação.

A Vivo não deu detalhes sobre a velocidade de sua rede 5G DSS, porém se usarmos a da Claro para efeito de comparação, estamos falando de 400 Mbps (megabits por segundo). Com o 5G operando na frequência de 3,5 GHz, a promessa é de chegar na ordem de gigabits por segundo.

Das grandes operadoras, informa o Teletime, a TIM também tem planos de implementar o 5G DSS, porém o plano é lançar em três cidades em setembro. São elas: Bento Gonçalves/RS, Itajubá/MG e Três Lagoas/MS. A companhia ainda informou recentemente que passará a comercializar serviços de FWA (Fixed Wireless Access), ou banda larga fixa sem fio, porém não se sabe se por meio de 5G DSS ou sua rede 4.5G.