O YouTube está sendo processado por ainda permitir o upload de vídeos com cenas de abusos a animais. A plataforma também é acusada de não punir quem publica os conteúdos.

A Lady Freethinker, uma organização sem fins lucrativos de direitos dos animais, está movendo um processo contra o YouTube, acusando a plataforma de quebra de contrato. O processo alega que o YouTube falhou em cumprir o acordo com os usuários, permitindo que vídeos de abuso de animais fossem postados — e deixando de agir quando alertado sobre o conteúdo.

Esses conteúdos, encontrados aos milhares no site, foram objeto de uma ação judicial movida na segunda-feira (18), no Tribunal Superior da Califórnia em Santa Clara.

Alguns dos vídeos estão no site há anos, sendo assistidos centenas de milhares de vezes. Certos deles exibiam, inclusive, anúncios de rações para animais de estimação. Isso significava que a empresa-mãe do YouTube, a Google, estava compartilhando as receitas dos anúncios com as pessoas que postaram os vídeos.

A organização disse que o YouTube ignorou as repetidas denúncias do grupo sobre vídeos de abuso de animais, e também lamentou que, segundo eles, a plataforma se preocupe mais com os lucros do que com a causa animal.

“O YouTube está ciente desses vídeos e seu papel em distribuí-los, bem como seu apoio contínuo à sua criação, produção e circulação”, disse a entidade. “É uma pena que o YouTube tenha optado por colocar os lucros acima dos princípios de tratamento ético e humano de animais inocentes”.

Já existe a proibição para vídeos em que humanos causam danos físicos a um animal para causar sofrimento. As diretrizes dizem que o YouTube também não permite vídeos nos quais humanos incitem animais a lutar ou encenem um resgate que coloque o animal em uma situação perigosa. Entretanto, diversos conteúdos com essas características foram encontradas na plataforma.

A porta-voz do YouTube, Ivy Choi, disse que a empresa expandiu sua política sobre vídeos de abuso de animais este ano. Desde então, ela disse, a plataforma removeu centenas de milhares de vídeos e encerrou milhares de canais por violações.

Em uma carta enviada ao Departamento de Justiça na segunda-feira (18), a Lady Freethinker também acusa o YouTube de ajudar e incitar a violação da lei de “esmagamento de animais”.

Criada em 1999 e alterada em 2010 e 2019, a lei federal americana proíbe a produção ou distribuição de vídeos em que os animais são “propositadamente esmagados, queimados, afogados, sufocados, empalados ou sujeitos a lesões corporais graves”.

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Nina Jackel, fundadora do Lady Freethinker, disse que, há um ano e meio, vem pedindo ao YouTube que tome medidas significativas em relação aos vídeos de abuso de animais.

Segundo ela, só no ano passado ela forneceu exemplos de violações em 146 canais com mais de 2.000 vídeos, assistidos coletivamente 1,2 bilhão de vezes. Ela disse que o YouTube não respondeu e que cerca de 70% desses vídeos ainda estavam no ar até o mês passado.

“Tentamos ter uma conversa substancial com eles por várias vezes e fomos impedidos”, disse Jackel. “Estamos batendo na porta e ninguém atende. Portanto, este processo é uma espécie de gota d’água”.