Apesar de ser mais conhecida por seus vários PCs e produtos gamers, a Asus vem há algum tempo fazendo smartphones. Nas quatro gerações de Zenfone anteriores, a Asus pulava a maior feira de celulares do mundo, a MWC em Barcelona. A razão? De acordo com o chefe de marketing global Marcel Campos, “[Nós] apenas não estávamos prontos”. Mas parece que as coisas mudaram, porque na MWC 2018, a Asus veio firme com o novo Zenfone 5.

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Disponível em três modelos diferentes: o Zenfone 5Z “premium” de US$ 500, o Zenfone 5 padrão (cujo preço ainda será anunciado), e o Zenfone 5 Lite de entrada (cujo preço também será anunciado), os novos celulares da Asus carregam especificações muito próximas dos líderes da indústria, incluindo câmera traseira dupla com zoom 2x, poderosos alto falantes estéreo, desbloqueio facial, e um monte de funções normais acompanhadas de “Inteligência Artificial”, como carregamento com “Inteligência Artificial”, e uma tela com “Inteligência Artificial” e proporção entre tela e corpo de 90%.

O Zenfone 5 tem até o entalhe no topo do display, semelhante ao novo e caríssimo produto da empresa da maçãzinha de Tim Cook. Que ideia mais inovadora!

Mas por baixo dde tudo isso, a Asus está de fato pronta para competir ao lado de aparelhos topo de linha lançados durante a MWC, como o Samsung Galaxy S9 e o Sony Xperia XZ2? Bem, não, não muito. O que vemos, na verdade, é um clone do iPhone X que roda Android.

Olha, não é a primeira vez que a Asus copia descaradamente um produto rival, então não é surpresa que ela esteja se baseando na cartilha da Apple. Mesmo com o entalhe muito semelhante, o Zenfone 5 tem bordas mais finas que as do iPhone X, que possui uma proporção entre tela e corpo de apenas 82,9%.

Além disso, apesar do estilo dos novos Zenfones não ser particularmente criativo, eu valorizo o fato da Asus ter adicionado o tradicional anel concêntrico por trás do vidro da traseira. E diferente do iPhone X, o Zenfone 5 tem plug de fone de ouvido padrão (NUNCA ME ESQUECEREI!).

Qual destes é o iPhone X? Dica: é o da direita. (Créditos: Sam Rutherford/Gizmodo)

O que é muito mais ofensivo é que a Asus deliberadamente solta termos como Inteligência Artificial e inteligente de forma descontrolada. Durante uma conferência para a imprensa para explicar mais detalhes sobre o seu novo aparelho, a Asus afirmou que a câmera dupla de 12 megapixels da traseira era de ponta. Apesar do aparelho contar com o recém lançado sensor IMX 363 da Sony, a câmera possui uma abertura máxima de f/1.8, que é a mesma que a LG apresentou ano passado com o G6, e que é inferior ao sensor f/1.5 presente no novo Galaxy S9.

Um cacto não é comida, Inteligência Artificial do Zenfone 5. (Créditos: Sam Rutherford/Gizmodo)

Mas ele ainda tem duas câmeras, isso deve valer de algo, certo? Não, especialmente depois da Alcatel anunciar uma linha de celulares com câmera dupla que custa menos de 100 euros. A Asus disse ainda que o Zenfone 5 tinha câmera com inteligência artificial, que assim como o Mate 10 Pro da Huawei, pode usar sua capacidade para detectar certos objetos e ajustar a fotografia conforme necessário.

O problema é que quando tentei utilizar a função, foi meio que tentativa e erro. O celular não sabia dizer se um cacto era uma planta ou comida. Olha, eu sei que pessoas comem cacto o tempo todo, mas pela foto, de jeito nenhum que eu iria colocar essa planta espinhenta na minha boca.

Asus, sério, você sabe o que IA significa? (Créditos: Sam Rutherford/Gizmodo)

E aí chegamos ao display do Zenfone, que tem 6,2 polegadas e possui proporção 19:9 com resolução FHD+. A Asus arruinou a tela dizendo que ela tem Inteligência Artificial que pode automaticamente ajustar a temperatura da cor de acordo com o ambiente. Muito celulares já fazem isso. A Apple chama isso de True Tone.

É uma função legal, mas ninguém além da Asus diz que é uma inteligência artificial fazendo isso. A companhia diz que até os altos falantes da empresa possuem amplificadores inteligentes. Quando os ouvi, eles pareciam bem altos, mas o som não era tão bom.

Há ainda a detecção inteligente da tela, ou algo do tipo, que impede o celular de bloquear a tela caso você ainda esteja olhando pra ela. Olha, me desculpa, mas não precisa ser tão inteligente assim pra detectar se um rosto está na frente da tela ou não. A Samsung faz isso há muito tempo.

Por sorte, as especificações do Zenfone 5 parecem boas. O topo de linha Zenfone 5Z vem com um processador Snapdragon 845, até 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento. Os modelos mais em conta Zenfone 5 e 5Q podem ser comprados com os processadores Snapdragon 636, 630 ou 430, 4 GB ou 6 GB de RAM e armazenamento de 32 GB ou 64 GB, dependendo do modelo escolhido. É provável que todos cheguem ao Brasil, mas o foco de marketing deve ficar no modelo intermediário de especificações.

Gostei como a Asus se livrou de seus softwares próprios e favoreceu os apps padrões do Android, que é o que todo mundo vai usar mesmo.

Nenhum dos novos Zenfone 5 parecem ter algum tipo de resistência à água. Ah, e já que estava copiando a Apple, a Asus também aproveitou para fazer os seus próprios Animoji, que são chamados de, sim, Zenimoji.

Deixando de lado as funções exageradas e o design sem inspiração, a nova geração de Zenfones parece boa, especialmente o 5Z, que custará apenas US$ 500. Mas com esse marketing de boboseira, é possível que as pessoas nunca os apreciem devido ao uso indevido do termo inteligência artificial.

Asus, você não precisa montar todas estas artimanhas para acreditarmos que seus telefones são superinteligentes pois já os achamos bons. Os novos Zenfones chegam ao mercado a partir do próximo trimestre.