Ontem, durante o Google I/O, conhecemos uma nova linguagem de design chamada Material Design. É o primeiro manifesto de design do Google, e dentro dele está uma mensagem sobre como a empresa vê seus usuários interagindo com tudo, de relógios a carros. Eis como decodificá-la.

Como vai ficar o Android

Vamos começar com o que podemos ver: a equipe de design do Google definiu uma série de regras para como os apps devem ser. Isso inclui simplificar a padronizar o layout gráfico do Android, desde a criação de uma ferramenta de seleção de paleta que puxa cores do conteúdo de um app, até atualizar a fonte gratuita Roboto criada pelo Google, que agora é mais limpa e clara em uma gama maior de dispositivos.

Isso também inclui definir uma grade padrão, que é algo mais importante do que você imagina. O Material Design não será usado apenas em smartphones retangulares e telas de tablets. Ele será usado também para telas circulares de relógios. E até por óculos. Então criar uma grade que dita o espaço em diversas formas e tamanhos é absolutamente essencial para criar apps que sejam legíveis em qualquer lugar.

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É simples, brilhante e bem claro. E é importante, porque vai aparecer em muito mais gadgets do que qualquer outra interface de usuário na história. Mas falaremos mais disso em seguida.

Como o Android vai agir

Então porque chama Material Design? Matias Duarte explicou ontem que é tudo uma questão de tridimensionalidade: pense em pixeis não apenas como pontos de cores em 3D, e sim como cubos 3D com peso e profundidade.

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Então vamos dizer que um card do Google Now brota na tela do seu smartphone. Aquela janela não é apenas uma coleção de quadrados brancos. Ela está incorporada com o comportamento e peso de um pedaço de cartolina, então ela age como uma cartolina real quando se move pela sua tela.

O mesmo acontece com recursos animados, como sombra e perspectiva. O Material Design renderiza os cards do Google Now como se eles flutuassem pela sua tela inicial, com sombra realista e profundidade baseada nas propriedades de material da vida real.

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Isso soa bem diferente do conceito de Flat Design que ouvimos tanto nos últimos tempos, certo? Sim! Com o Material Design, o Google está introduzindo uma dose cuidadora de tridimensionalidade ao Android. E há um bom motivo para isso.

Além de smartphones e tablets

Flat Design defende a remoção de porcaria visual que enchia nossas telas. E isso foi ótimo. Mas também removeu alguns detalhes muito importantes que tornam as telas mais fáceis de ler e interagir; sombras, por exemplo.

“Os fundamentos de luz, superfície e movimento são a chave para transmitir com os objetos interagem,” explicou a equipe do Google no manifesto disponível aqui em PDF. “Iluminação realista mostra costuras, divide o espaço e indica as partes móveis.”

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Ao remover artefatos inúteis, interfaces flat tornaram mais fácil fazer com que o Android ficasse mais bonito em diferentes tamanhos de telas de smartphones e tablets. Mas o Material Design não é uma linguagem de design para esses dispositivos apenas. É uma linguagem para telas maiores e menores. E, de certa forma, ele precisa da tridimensionalidade para tornar os dispositivos mais fáceis de se ver e interagir.

O mundo com design do Google

Google, como sabemos, quer estar em todos os lugares. Casas, óculos, robôs, termostatos, laptops, balões de internet, TVs. Qualquer coisa que envolve tecnologia – o Google está lá. E com quase 50.000 funcionários, eles precisam de um documento que cada um deles use para se guiar por todas as plataformas e dispositivos.

Então o Material Design não é apenas sobre tablets e smartphones. É uma abordagem sistemática sobre como produtos interagem com milhões de usuários. É sobre os dispositivos com Android Wear, que precisam mostrar enormes quantidades de informações em uma tela pequena.

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É sobre o Android Auto, que precisa mostrar essas informações com segurança para um usuário que não pode parar de prestar a atenção em outra coisa. É também sobre o Chrome, que já é muito mais um sistema operacional do que um navegador, e precisa ser e parecer fácil de ser usado.

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E o Google Glass? O Material Design se aplica a ele também – em uma interface menor que os seus olhos.

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E esses são apenas alguns exemplos de como o Material Design será usado; existem vários outros aparelhos a caminho. Um único padrão de design para todas essas coisas? É difícil de fazer. E é por isso que o Material Design é muito menos um conjunto de regras e mais um framework para física e materialidade.

Pense no Google como um ambiente que você vê em videogames. Claro, ele precisa de pessoas, árvores e objetos. Mas antes de tudo, precisa de gravidade – das leis da física – para ditar como todas as coisas vão agir. O Material Design é essa lei da gravidade. Enquanto o Google constrói o resto do seu mundo com todos os relógios, carros e talvez até robôs, esse é o sistema que vai manter todos eles no chão.