Steve Ballmer deixará o cargo de CEO da Microsoft em até 12 meses. Prestes a sair da empresa, ele resolveu abrir o coração: em uma reunião com investidores e analistas nesta quinta-feira, Ballmer reconheceu os erros do passado – mas não sem deixar claro quem mais o irrita na concorrência.

Primeiro, ele confessa que a Microsoft se concentrou tanto no Windows que perdeu a oportunidade de ganhar espaço no mercado de smartphones. Segundo o TechCrunch, ele disse:

Se há uma coisa de que eu me arrependo: houve um período, no início dos anos 2000, quando estávamos tão focados em torno do Windows que não conseguimos mover talentos para o novo formato de dispositivo chamado celular.

É disso que eu me arrependo mais. Essa era a época em que estávamos trabalhando no que se tornou o [Windows] Vista, e eu gostaria que tivéssemos [distribuído] recursos de forma ligeiramente diferente.

Após atrasos, o Windows Vista foi lançado em meio a diversas críticas, envolvendo as altas exigências de hardware, drivers incompatíveis e o infame UAC, que perguntava incessantemente se você “deseja rodar este programa”. As vendas desaceleraram, e surgiram muitos relatos de usuários voltando para o Windows XP e empresas pulando o Vista. Os problemas só se resolveram de vez com o bem-sucedido Windows 7.

Além disso, deixando a Apple e o Google dominarem o mercado de smartphones, a Microsoft perdeu espaço e relevância. Depois que adaptar o Windows Mobile para touchscreens não deu certo, a empresa preparou o Windows Phone 7, e depois o WP8 – que não é compatível com aparelhos antigos.

Ballmer confessou na reunião: “dispositivos móveis? Nós quase não temos participação”. Mas, segundo o The Verge, ele está otimista, dizendo que “ter uma participação baixa de mercado parece uma oportunidade de crescer para mim”. E a Microsoft quer crescer através da Nokia; Ballmer, no entanto, não revelou mais detalhes sobre o futuro da aquisição.

“Google tem um monopólio”

O que ele falou, no entanto, foi sobre o Google. Mantendo o tom de sinceridade, ele diz que a gigante das buscas “tem, ouso dizer, um monopólio. Nós somos a única empresa do mundo a tentar competir com eles”. Recentemente, o Bing ganhou um redesign para se tornar mais competitivo.

Acusar o Google de monopólio não é algo novo: já ocorreram investigações nos EUA e União Europeia, nas quais a empresa foi acusada de abusar do seu poder no mercado de buscas. Porém Ballmer foi mais longe, segundo o Business Insider:

Eu acredito que as práticas da Google são dignas de discussão com autoridades que cuidam da concorrência. E nós certamente discutimos [essas práticas] com essas autoridades. Eu não acho que elas mereçam menos discussão. Destacamos algumas más práticas na publicidade e em discussões com agências reguladoras, e as limitações que eles impõem no YouTube e Google Maps. Eu acho que eles precisam de pressão da concorrência. Eu acho que eles precisam de pressão no mercado com produtos, com investimentos, com escala.

A Microsoft participa de um caso contra o Google na União Europeia: através do Fair Search (Busca Justa), ela quer forçar a gigante das buscas a não priorizar os próprios serviços nos resultados, algo que prejudica os concorrentes.

E, claro, há toda a comoção sobre o app do YouTube para Windows Phone, que foi lançado pela Microsoft sem anúncios, e depois bloqueado pelo Google. As empresas trabalharam juntas para criar uma versão do app que permitisse ao Google obter receita de publicidade, e ela foi ao ar – para ser bloqueado novamente, devido à exigência de HTML5. A Microsoft acusa a concorrente de inventar desculpas para prejudicar o Windows Phone.

Office para iPad?

O evento da Microsoft contou com outros executivos da empresa. Um deles era Qi Lu, responsável por aplicativos e serviços, que sugeriu que o Office poderia chegar ao iPad e a tablets com Android.

Ele disse que sua equipe está criando uma versão do Word, Excel e Outlook voltada para o toque – talvez algo semelhante ao OneNote MX, com design Metro.

O Office para tablets será lançado para dispositivos com Windows, e chegará a outras plataformas quando estiver pronto e quando for “financeiramente sensato”. Por enquanto, o Office está disponível apenas para smartphones, e requer uma assinatura mensal.

Ballmer finalizou o evento, que demorou quatro horas, mas não comentou quando exatamente ele deixará o cargo de CEO. À Reuters, a empresa disse não comentar o assunto. [Reuters, Business Insider, TechCrunch, The Verge]