A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu na tarde desta quarta-feira (31) autorização de uso emergencial para a vacina contra Covid-19 da Janssen, braço farmacêutico do grupo Johnson & Johnson. O imunizante se junta a fórmulas da Pfizer, Oxford/AstraZeneca/Fiocruz e Sinovac/Butantan na lista de liberados pela entidade.

Os quatro diretores da Anvisa votaram a favor da autorização de uso emergencial — uma decisão unânime. Em suas falas, eles destacaram os ótimos resultados da vacina nos testes e as autorizações já concedidas por outros países — ela já está liberada nos EUA, no Canadá, na União Europeia, no Bahrein e na Tailândia, além da Organização Mundial da Saúde, segundo o monitor de vacinas contra Covid-19 do jornal The New York Times.

Os diretores também levaram em consideração a situação da pandemia no Brasil — com médias móveis de óbitos diários batendo recordes e se aproximando de 3 mil— e avaliaram que os benefícios da vacina superam os riscos.

A vacina da Janssen obteve eficácia de 66,9% nos testes clínicos de fase 3, mas a Anvisa ainda considera haver incerteza sobre a proteção conferida pelo imunizante contra variantes do Sars-CoV-2 — os números dos testes na América Latina e na África do Sul, onde o coronavírus vem apresentando mais mutações, foram menores.

A fórmula usa um DNA com informações genéticas do Sars-CoV-2 dentro de um adenovírus modificado. Os adenovírus causam doenças leves como resfriados; a versão modificada não causa doenças nem se multiplica. O material genético faz o corpo humano produzir as proteínas spike (também chamadas de proteínas de espícula ou proteínas S), parte do vírus responsável por se ligar aos receptores das células. Assim, o sistema imune consegue ser treinado para reconhecer esse invasor e proteger o organismo de infecções.

Uma das grandes vantagens da vacina da Janssen é que ela é de dose única — praticamente todas as outras autorizadas até o momento são de duas doses. Além disso, ela pode ser armazenada entre 2Cº e 8 Cº, o que resolve muitos problemas de transporte e armazenamento — outras fórmulas precisam ser estocadas em temperaturas muito mais baixas, o que atrapalha o processo logístico.

Assine a newsletter do Gizmodo

No começo do mês, o governo brasileiro anunciou um acordo para comprar 38 milhões de doses da vacina contra Covid-19 da Janssen. Elas não devem chegar tão cedo, porém: 16,9 milhões de doses devem chegar apenas em agosto, e o restante, até novembro.

[UOL]