Tonga está enfrentando seu primeiro surto de Covid-19 desde o início da pandemia, em 2020. O arquipélago só havia registrado um caso até então, em outubro do ano passado. Mas a entrada de equipes de ajuda internacional após a erupção do vulcão Hunga Tonga-Hunga-Ha’apai, em 15 de janeiro, fez o vírus chegar ao país.

Três pessoas morreram devido à erupção, enquanto parte da população ficou desabrigada. O único cabo de comunicação do arquipélago foi rompido, deixando as pessoas sem acesso ao mundo exterior. Como se não bastasse, as cinzas inutilizaram reservatórios de água e atingiram as colheitas, tornando a ajuda internacional imprescindível. 

O fator abriu portas para o Sars-CoV-2, que atingiu trabalhadores portuários e seus familiares no início desse mês. O aumento dos casos está sendo registrado em tempo real pelo jornal local Matangi Tonga, que já anunciou 66 infecções. 

De acordo com o portal, foram enviadas cinco amostras para testes na Austrália, que confirmaram a variante Ômicron como a responsável pelos casos.

Todos os pacientes adultos estavam vacinados e tiveram sintomas leves. Há também crianças com Covid-19 em Tonga, mas o número dos pequenos infectados não foi divulgado. O país segue agora uma política rígida de isolamento, com as crianças tendo aula via rádio FM.

Os tonganeses estão saindo apenas para uma coisa: tomar vacina. Após notícias do surto, a imunização deu um salto após o surto, com 98% das pessoas elegíveis tendo recebido ao menos uma dose. Destas, 88% estão totalmente vacinadas. Considerando toda a população, o número de imunizados com as duas doses chega a 67%.

Antes da erupção, Tonga havia registrado apenas um caso de Covid-19. O paciente era um missionário que havia acabado de voltar da África. Ele logo foi isolado e não houve espalhamento do vírus.

A Cruz Vermelha e outras autoridades de saúde alertam para o risco de sobrecarga do sistema de saúde, que passará a lidar não só com as consequências da erupção, mas também com o atual surto de Covid-19.