Desde setembro de 2020, o Reino Unido vem testando um aplicativo de celular que rastreia quando os usuários estão muito próximos uns dos outros — tudo em prol do distanciamento social contra Covid-19. E parece que o uso da ferramenta deu certo, já que um artigo publicado na revista Nature concluiu que o app teve um impacto significativo na redução de casos transmissíveis da doença.

De acordo com os pesquisadores, dos quais alguns também fizeram parte do estudo, o aplicativo NHS Covid-19 evitou “centenas de milhares de casos do novo coronavírus e milhares de mortes”. O serviço foi “usado regularmente” por 16,5 milhões de pessoas, o que equivale a 28% da população do Reino Unido.

O app funciona usando os sensores do smartphone para medir a proximidade do dono do aparelho para os demais usuários, além de quanto tempo eles permanecem juntos. Se o teste de alguma dessas pessoas der positivo para Covid-19, o app então emite um alerta avisando todas as outras pessoas que estiveram em contato com ela, recomendando a quarentena.

Com base nesse conceito, o aplicativo enviou cerca de 1,7 milhão de “notificações de exposição” depois de pelo menos 560 mil utilizadores da plataforma testaram positivo para a doença.

No período que vai de setembro a dezembro de 2020, os pesquisadores estimam que cada aumento de 1% nos usuários do NHS Covid-19 resultou em uma redução de novos casos entre 0,8%, para cálculos de “modelagem” (quando são feitas apenas suposições sobre a transmissão), e 2,3%, com base em análise de dados das autoridades locais sobre casos reais. No primeiro cenário, os casos evitados chegaram a 284 mil, enquanto que no segundo modelo esse número salta para 594 mil. As mortes evitadas por sua vez, foram 4,2 mil e 8,7 mil, respectivamente.

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Inicialmente, o app NHS Covid-19 foi pensado como uma ferramenta desenvolvida pelo próprio governo do Reino Unido. Contudo, as autoridades optaram mais tarde por utilizar um sistema de rastreamento centrado na privacidade e oferecido por Apple e Google — o funcionamento ocorre por meio de Bluetooth. Por conta disso, as duas empresas determinaram desde o início que os desenvolvedores do aplicativo não poderiam acessar dados que mostrassem a intensidade sinal Bluetooth, preservando a identidade dos usuários.

[BBC News 1, 2]