Tudo mundo tem uma teoria. Talvez seja porque o iPhone seja muito caro. Talvez o controle de qualidade da Apple tenha enfraquecido ou eles afastaram os consumidores ao remover características valorizadas, como a entrada para fones de ouvido. Pode ser que os iPhones tenham ficado cada vez mais caros numa época em que os consumidores perceberam que essa faixa de preço de modelos premium não valem a pena, principalmente com tantas boas opções de intermediários. Ou, sei lá, as pessoas estão trocando de celular menos vezes. Talvez seja tudo isso, ou nenhuma dessas coisas.

Independente da teoria, o relatório financeiro do segundo trimestre fiscal de 2019 da Apple mostra que a marca “iPhone” enfraqueceu. O documento divulgado nesta terça-feira (30) mostrou que da receita trimestral de US$ 58 bilhões, que caiu 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, incluiu US$ 31 bilhões de vendas de iPhones – menos do que os US$ 37,5 bilhões do mesmo período fiscal de 2018.

Ah, e não estranhe: nos EUA, as empresas podem escolher a data de início do seu ano fiscal, o que faz com que o período de janeiro a março seja o segundo trimestre fiscal de 2019 da Apple, ao contrário de outras empresas.

Apesar da queda no iPhone, outras unidades de negócio da Apple foram muito bem: as vendas de iPads cresceram de US$ 4 bilhões no segundo trimestre de 2018 para US$ 4,8 bilhões neste ano. Enquanto isso, as divisões de dispositivos vestíveis, itens de casa conectada e acessórios viu sua receita pular de US$ 3,9 bilhões para US$ 5,1 bilhões.

De acordo com o Verge, a empresa gerou receita “recorde” de cerca de US$ 11,5 bilhões em sua divisão de serviços. No geral, a Apple se saiu bem na projeção de US$ 55 a 59 bilhões que havia sido apontada para esse trimestre fiscal – um upgrade considerável em relação aos resultados decepcionantes do último período.

A Apple também citou a força de seus programas de trocas e financiamento. A companhia disse que teve um volume de trocas “quatro vezes maior do que teve em março de 2018”, após lançar novos programas nos Estados Unidos, Espanha, Itália, Reino Unido, China e Austrália. No entanto, a ênfase foi no número de consumidores da Apple que podem trazer mais receitas, em vez do volume de vendas de hardware:

No final do ano passado, a Apple explicou que não iria detalhar as vendas dos iPhones por trimestre, uma decisão que frustrou muita gente mas que faz sentido para o objetivo da companhia. Em vez disso, a empresa revelou no balancete do último trimestre que sua base de usuários inclui 900 milhões de iPhones – e o relatório dessa semana mostra que a base de instalação da companhia é composta por 1,4 bilhão de dispositivos. Em vez de focar em quantos iPhones foram vendidos, a Apple quer focar em quantos iPhones existem no mundo, com o objetivo de mostrar que quão vasto pode ser o seu negócio de serviços.

Segundo o Wall Street Journal:

As vendas de iPhone, que por muito tempo foram o carro chefe de seus negócios, caíram 17%, para cerca de US$ 31 bilhões – um declínio acelerado para um produto que tem ficado na mão dos consumidores por mais tempo antes de uma troca e pela competição de rivais chineses que oferecem produtos mais baratos e com mais funcionalidades.

A fatia de vendas de iPhone caíram de cerca de 61% da receita da Apple no segundo trimestre de 2018 para 54% no segundo trimestre de 2019.

Na China, onde a empresa tem tido dificuldade em vender celulares (em grande parte devido a concorrentes como a Huawei), a Apple registrou US$ 10,2 bilhões em vendas, abaixo do valor do segundo trimestre de 2018, de US$ 13 bilhões. O CEO Tim Cook, no entanto, disse que a Apple teve um “melhor desempenho ano após ano [na China] nas últimas semanas do trimestre”.

No entanto, a Apple também teve um forte crescimento global na divisão wearables (incluindo produtos como Apple Watch e AirPods). A CNBC aponta que o crescimento foi de quase 50% ano após ano. A divisão do Mac atingiu US$ 5,5 bilhões de receitas, abaixo da projeção de US$ 5,85 bilhões, mas Cook disse que esse foi um tropeço temporário devido a “restrições na área de processadores” e que não indica projeção de queda na receita de longo prazo.

A categoria de serviços teve um destaque. No segundo trimestre de 2018, essa divisão representou 16,1% das receitas, e agora chegou a quase 20% do dinheiro gerado – uma afirmação de que a companhia está, aos poucos, pavimentando seu caminho nessa área e deixando de lado a dependência dos iPhones.

O chefe financeiro da Apple, Luca Maestri, disse que a companhia obtém cerca de um terço de seu lucro líquido nessa divisão, enquanto Cook afirmou que a Apple possui 390 milhões de assinantes em todos os seus serviços (30 milhões a mais que no trimestre passado).

A Apple também estimou que irá ultrapassar meio bilhão de assinantes entre seus serviços até 2020, provavelmente com base nas projeções com o lançamento do streaming de vídeo e de jogos.

O seu evento para desenvolvedores, WWDC 2019, está programado para junho. Lá, a empresa terá a oportunidade de reforçar o investimento dos consumidores em iPhones, possivelmente revigorar sua linha de Macs e promover ainda mais os negócios de vestíveis e acessórios.

De acordo com a CNBC, os investidores pareceram bem felizes com esse relatório. As ações subiram mais de 4% e a companhia está se reaproximando do valor de mercado de US$ 1 trilhão.

[Apple]