A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta sexta-feira (28) o uso de autotestes de Covid-19 no Brasil. A venda do produto era proibida devido a uma normativa da Anvisa de 2015, mas a explosão de casos, principalmente, da variante ômicron levaram as autoridades a rever esta regra. 

Assim, brasileiros poderão testar se estão com o vírus no organismo direto de suas casas. A mudança deve ser positiva, já que instituições públicas e privadas estão com falta de testes devido a alta demanda. 

O autoteste promete ser mais acessível. Ainda não foram divulgados valores, mas Carlos Gouvêa, presidente-executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), disse à Folha de S. Paulo que o preço deve ficar entre R$ 45 e R$ 70. Para fins de comparação, um teste de antígeno oferecido hoje em farmácias custa em torno de R$ 100 a R$ 150.

E estes dois exames funcionam de maneira idêntica. Ambos detectam proteínas do Sars-CoV-2 no organismo, apresentando os resultados em cerca de 15 minutos. A diferença é que não terá um enfermeiro fazendo o trabalho para você.

No autoteste, o próprio paciente deve coletar material de sua narina com auxílio de um swab nasal. Depois, deve colocar a haste em um tubo preenchido com reagente. Faz-se uma rápida mistura, que é depositada com auxílio de um conta-gotas no pequeno objeto que dará o diagnóstico. Então, é só esperar 15 minutos para ver se o resultado será positivo ou negativo.

Na proposta enviada à Anvisa, o Ministério da Saúde explicou que, ao detectar a Covid-19 por meio de autoteste, o paciente também deve buscar por unidades de saúde para confirmar o diagnóstico e receber orientações de profissionais. De toda forma, a liberação é feita com cautela e críticas por parte da Anvisa à falta de orientações à população.

A agência já havia realizado uma reunião em 19 de janeiro para discutir a liberação do autoteste, mas postergou a decisão devido a falta de informações cedidas pelo Ministério da Saúde sobre como seriam feitas as notificações e também o descarte do lixo gerado pelos exames.

Autoridades da Anvisa reforçam que o autoteste não serve para fazer diagnóstico. Da mesma forma, o exame feito em casa não substitui exames laboratoriais exigidos para a realização de viagens internacionais.

Apesar da aprovação pela Anvisa, ainda não há previsão de quando o autoteste começará a ser comercializado no Brasil. As empresas que fabricam o produto devem ainda pedir o registro à agência.