Com aparência similar a um tubo de pasta de dente, o avião experimental X-57 Maxwell da Nasa está em um hangar na Base Aérea de Edwards, na Califórnia. Este é o primeiro avião experimental tripulado da agência em 20 anos. Ele funciona exclusivamente com energia elétrica e está prestes a passar por testes funcionais de alta tensão antes de seu primeiro voo, programado para o final deste ano.

“Atualmente, temos um emulador de bateria que estamos usando para fornecer energia à aeronave”, disse Nick Borer, engenheiro aeroespacial do Langley Research Center da Nasa, em uma vídeochamada. “Mas esta é a primeira vez que colocamos os sistemas de baixa e alta tensão operando juntos.”

A lista de aeronaves experimentais da Nasa, também chamados de X-planes ou aviões-X, conta um pouco sobre a longa história das tentativas de descobrir o “futuro do voo”. Ela vai dos drones de combate da era Bush, que tinham um formato de pipa, até o autogyro da era Eisenhower, que parece um triciclo equipado em um helicóptero. Esta nova aeronave elétrica certamente é mais parecida com um avião do que qualquer um desses exemplos. Uma característica marcante é que seu projeto indica o uso de 14 hélices.

O avião-X no Armstrong Flight Research Center, na Califórnia. Imagem: NASA/Lauren Hughes.

Deste modo, as características marcantes do X-57 incluem seu sistema de combustível exclusivamente elétrico e 14 motores — seis menores ao longo de cada asa e dois maiores nas pontas. Seria difícil controlar se eles fossem mais robustos e movidos a combustível. Inclusive, a título de curiosidade, a ideia dos motores na ponta de asa já vem da década de 80, mas as limitações tecnológicas da época a relegaram para um terreno mais futurista. A fuselagem é uma casca reciclada de um Tecnam P2006T, um avião bimotor italiano de asas altas. A fornecedora principal do projeto é a empresa Empirical Systems Aerospace, com sede na Califórnia.

Borer, um engenheiro aeroespacial que trabalha no projeto conceitual de aeronaves para a Nasa, com foco em como os designs mudam em relação aos avanços tecnológicos, disse que “desde que os humanos aprenderam a voar, ocorreu apenas uma revolução na propulsão: a mudança dos motores a pistão para motores a jato. O X-57 inverte o roteiro do século 21, funcionando com duas baterias de lítio na cabine do avião”.

“Uma das coisas realmente legais sobre o X-57 é que ele é como dois e meio, talvez até três Aviões-X em um”, afirma Borer. Ele diz que a fase final da nave “Mod IV” introduziria uma “importante e diferenciada maneira de integrar a propulsão a um avião. Não se trata apenas de colocar um motor ou bateria em um avião; isso muda a forma como você o projeta”.

Maquete de outro artista de um X-57 concluído no chão. Ilustração: NASA Langley/Advanced Concepts Lab, AMA, Inc.

Os próximos testes de tensão de aterramento verificarão a capacidade dos motores de funcionar em conjunto. Eles ocorrerão sem o avião se mover e virão antes dos testes de taxiamento e de voo tripulado (que podem acontecer ainda este ano). Além da decolagem, que sem dúvida será bem legal, Borer está muito animado para ver o avião pousar pela primeira vez e obter feedback junto da sua equipe sobre como o comportamento do X-57 difere dos outros aviões.

“A forma como configuramos faz a aeronave modular e realmente ajuda a controlar aquela região crítica na parte de trás da curva de potência”, disse Borer, referindo-se a uma situação complicada em que a hélice das aeronaves precisam de muito mais potência conforme elas diminuem a velocidade para pousar. “Minha sensação é que vai parecer que acabou, e isso seria um grande avanço e algo interessante para obter a opinião dos pilotos de teste.”

Assine a newsletter do Gizmodo

Borer disse que um avião totalmente elétrico pode ser um divisor de águas para o voo humano. Para ele, o X-57 Maxwell pode ser “uma maré que levanta todos os barcos. Ou melhor: todos os aviões.”