O coronavírus que surgiu na China não chegou ao Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Nesta quinta-feira (23), em uma coletiva de imprensa, a pasta esclareceu que o País está adotando o nível de alerta é 1, em uma escala que vai de 1 a 3, e cinco casos suspeitos da doença por aqui foram descartados. Os registros estavam sendo investigados em Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Detalhes sobre a notificação em Minas Gerais

O caso de mais repercussão foi o da paciente de Minas Gerais, amplamente noticiado ontem. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais notificou a suspeita na quarta-feira e justificou hoje, em nota, que a medida “se deu porque a paciente esteve em um evento internacional na China, teve contato com pessoas de diversos locais do mundo, com vários dias de duração e apresentava sintomas respiratórios”.

A Secretaria disse ainda que quando a paciente procurou atendimento em Belo Horizonte, eles ainda não tinham o protocolo do Ministério da Saúde, com orientações sobre esses casos e, por isso, isolaram a paciente. Nesta quinta-feira, foi decidido que o “caso não atende ao critério de caso suspeito para o Novo Coronavírus.”

Eles esclarecem ainda que a FUNED (Fundação Ezequiel Dias) está realizando exames para Influenza e para outros vírus respiratórios, que já são os exames de protocolo, de rotina para todos os casos de síndrome respiratória e que a amostra da paciente já foi encaminhada para a Fiocruz, no Rio de Janeiro. A Secretaria e o Ministério da Saúde ainda vão avaliar se a Fiocruz vai realizar ou não o exame para o Novo Coronavírus.

Primeira morte fora da origem do surto

A China interrompeu viagens em três cidades para evitar contaminações, numa tentativa de conter a propagação do 2019-nCoV e evitar uma epidemia global. As autoridades de saúde da província de Hebei, na China, informaram nesta quinta-feira (23) que um paciente de 80 anos infectado com o coronavírus morreu na localidade – este é o primeiro caso de morte fora da província de Hubei, onde está localizada a cidade de Wuhan, local de origem do surto. Já são 18 mortes e mais de 600 casos relatados na China. Parte das festividades do Ano Novo Chinês foram suspensas.

Além da China, ao menos oito países tiveram casos de infecção por coronavírus: Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, Cingapura e Arábia Saudita. Há suspeitas em Hong Kong, nas Filipinas, na Austrália e no Reino Unido.

OMS decide não declarar emergência internacional

Após duas reuniões em Genebra, na Suíça, a comissão especial da Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu que “ainda é cedo” para declarar emergência internacional devido às infecções do coronavírus. “Esta é uma emergência na China, mas ainda não se tornou uma emergência de saúde global”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A recomendação da OMS é para que não haja restrições a viagens ou comércio.

Origem do coronavírus e contágio

Nesta quarta-feira, cientistas publicaram um artigo no Journal of Medical Virology e disseram que há indícios de que o 2019-nCoV pode ter vindo de cobras. Quando casos do novo vírus foram relatados pela primeira vez por médicos na China em dezembro de 2019, o surto parecia estar limitado a pessoas que tinham visitado um determinado mercado de alimentos, muitos deles vivos, em Wuhan, onde provavelmente a transmissão ocorreu pelo contato com animais. As cobras, por sua vez, são comumente criadas e vendidas na China como alimentos e remédios de medicina alternativa.

Ainda não há detalhes sobre o novo vírus, mas os sintomas são parecidos com o de uma pneumonia e causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. Acredita-se que a transmissão se dê de uma forma similar ao vírus da gripe e já foi confirmada que há contágio entre humanos. O período de incubação e a origem do vírus ainda não foram identificados.