Discussões políticas online são sempre perigosas. Mas uma recente disputa no Facebook entre dois estranhos na Flórida levou a um tiro na bunda. Brian Sebring, de 44 anos, enfrenta acusações criminais depois de decidir levar uma briga nas redes para o mundo offline.

“Eu fui ao fundo do poço”, ele disse ao Tampa Bay Times. “Não estava pensando direito. Você sabe, depois disso vou para um terapeuta ou algo assim, cara, porque é assustador que eu possa perder a cabeça desse jeito e fazer algo tão estúpido.”

Tampa Bay Times noticia que a briga provavelmente começou quando Sebring comentou em um post de um amigo sobre Donald Trump, que desde então foi removido.

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Sebring disse ao jornal que respondeu a um homem chamado Alex Stephens, que postou que queria expressar sua opinião, apesar de ter perdido o direito de votar, depois de ser condenado por acusações de crimes. Sebring teria respondido dizendo que alguém que quer expressar uma opinião não deveria cometer crimes.

Segundo Sebring, Stephens, então, lhe enviou mensagens privadas com ameaças, inclusive contra a família de Sebring. Stephens, de 46 anos, esteve preso por acusações que incluíam posse de drogas e roubo.

Sebring também tem ficha criminal. Ele foi preso e se declarou culpado de acusações de lesão corporal. Sebring frequentou aulas de controle de raiva e manteve seu direito a voto.

Tampa Bay Times revisou capturas de tela da conversa entre Sebring e Stephens, em que Sebring disse: “Cara, vou descarregar uma 5.56 na sua cara” e “Você realmente quer que eu vá para sua casa”.

Brian Sebring (à esquerda) é acusado de atirar em Alex Stephens (à direita). Imagem: Hillsborough County Sheriff’s Office

Sebring afirmou que saiu do trabalho mais cedo na segunda-feira passada (6), dirigiu em direção à casa em que mora com sua mãe, sua esposa e seus filhos e pegou um fuzil AR-15 e a pistola de sua mulher. Então, ele dirigiu até a casa de Stephens. “Eu surtei e deixei uma raiva primitiva assumir o controle”, contou ao jornal.

Stephens disse ao Gizmodo que Sebring o ameaçou de morte e afirmou que ele não havia ameaçado a família de Sebring. “Eu não faço isso”, escreveu Stephens em uma mensagem de Facebook para o Gizmodo. “É, eu disse para ele vir até minha casa… para lutar! Não para uma batalha armada. Sou o tipo de cara que sai na mão, não com Glocks e AR-15.”

De acordo com Sebring, Stephens saiu da casa e foi para cima dele. “Parecia que ele estava segurando uma faca de cozinha na mão, e eu me assustei”, contou ao Tampa Bay Times. “Quando atirei nele, ele largou a faca e correu de volta para dentro da casa.” Stephens levou tiros nas nádegas e na coxa.

O porta-voz da polícia Steve Hegarty disse ao jornal que nenhum dos homens mencionou uma faca em seus relatos iniciais. Stephens disse ao Gizmodo que não partiu para cima de Sebring com uma faca. “Não mesmo”, ele afirmou.

Stephens também forneceu ao Gizmodo uma captura de tela de uma conversa de Facebook, em que Sebring se gaba de ter atirado nele. Um usuário do Facebook que participou da conversa, cuja identidade concordamos em não publicar, confirmou a autenticidade das afirmações de Sebring. Este, por sua vez, não respondeu a nosso pedido por comentários.

Captura de tela: Alex Stephens (Usada com permissão)

Em sua entrevista para o Tampa Bay Times, Sebring mostrou mais remorso. “Arruinei a minha vida por causa disso. Agora minha mãe está com medo de sair de casa, meus filhos estão com medo de ir andando até a escola ou a igreja, tudo por causa de uns gângsters de teclado.”

Agora, Sebring encara acusações de porte de arma oculta e de lesão corporal com agravante de arma mortal. Em breve, ele pode perder seu direito ao voto.

[Tampa Bay Times]

Imagem do topo: Getty