Pela primeira vez, cientistas podem ter observado curva de luz causada por gravidade de buraco negro

Observação do fenômeno de um buraco negro curvando a luz em direção a si mesmo é inédita e pode comprovar modelos teóricos.
Um diagrama de um buraco negro curvando a luz de volta para si próprio. Ilustração: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (IPAC)/R. Connors (Caltech)

Os cientistas acreditam ter visto a gravidade de um buraco negro curvando a luz emitida pelo disco de matéria ao seu redor e fazendo-a virar em direção ao próprio buraco, de acordo com um novo artigo.

Buracos negros são objetos extremamente compactos, cuja imensa gravidade distorce o espaço, de modo que, além de um ponto sem retorno chamado horizonte de eventos, a luz não pode escapar. Sabemos que os buracos negros podem mudar o caminho que a luz percorre, mas essa observação é a primeira desse tipo. Uma equipe de cientistas liderada por Riley Connors, da CalTech, detectou a luz emitida pelo disco de gás e poeira em torno de um buraco negro se curvando de volta para ele.

“Nós nunca vimos isso antes”, disse Victoria Grinberg, da Universidade de Tübingen, na Alemanha, e uma das autoras do estudo. “Nós sabemos que isso deve acontecer. Mas prever é uma coisa, e ver acontecendo é outra completamente diferente.”

Os pesquisadores se concentraram em um sistema binário de buracos negros chamado XTE J1550-564, que tem uma massa em torno de nove vezes a do Sol e está a aproximadamente 14.350 anos-luz de distância. Um telescópio de raios X chamado Rossi X-ray Timing Explorer (RXTE) avistou o objeto pela primeira vez em 1998, e o buraco negro sofreu várias explosões brilhantes desde então.

Mas este artigo não se baseia em novas observações. Em vez disso, os cientistas tentaram recriar as observações já registradas usando vários modelos. Eles se concentraram nos espectros de raios-x, particularmente na luz de raios-x absorvida pelos átomos de ferro no disco do buraco negro.

Eles descobriram características sutis nas propriedades da luz que só poderiam ser explicadas se os fótons emitidos pela matéria no disco estivessem se curvando de volta por causa dos efeitos da gravidade do buraco negro, sendo reabsorvidos e reirradiados pelo disco. A equipe publicou seu trabalho recentemente no The Astrophysical Journal.

É um cenário desafiador para modelar, explicou Grinberg ao Gizmodo. A equipe não apenas precisa entender a física complexa em torno do disco, combinando física atômica e relatividade geral, mas também precisa entender completamente todas as peculiaridades do telescópio RXTE.

Este é um primeiro passo e, como diz o ditado, todos os modelos estão errados, mas alguns são úteis. Todo modelo construído por cientistas se baseia em suposições inerentes que podem levar a resultados diferentes do que realmente está acontecendo.

A equipe por trás desse novo modelo está ciente disso e está trabalhando para desenvolver ainda mais o modelo para incluir mais detalhes. Ainda mais importante, talvez, é o fato de que eles devem identificar mais objetos como o XTE J1550-564 e refazer a análise.

Se não houver nenhum problema com o que foi apresentado, seria uma descoberta incrível: uma prova concreta de que está realmente acontecendo o que pensávamos que deveria acontecer em torno de um buraco negro.

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