A China relatou 15.152 novos casos do coronavírus nesta quinta-feira (13), segundo a emissora estatal Xinhua. Esse é o maior salto em um único dia com um número significativamente acima dos poucos milhares de casos confirmados que a China costuma relatar diariamente.

As autoridades de saúde chinesas também relataram 254 novas mortes, o maior número em um único dia desde que a crise começou em dezembro de 2019.

O salto brusco dessa quinta-feira (13) provavelmente se deve a novas diretrizes para a notificação de pacientes com o coronavírus na província de Hubei, o epicentro do surto.

Os médicos em Hubei estão diagnosticando alguns casos por meio de tomografias dos pulmões dos pacientes, além de levar em consideração o histórico de exposição de um paciente a outros, em vez de apenas testes laboratoriais procurando exclusivamente o coronavírus.

Existem mais de 60 mil casos confirmados do coronavírus em todo o mundo, com 1.369 mortes. Cerca de 13 mil casos do coronavírus, que causa a doença recentemente batizada de COVID-19, foram clinicamente diagnosticados usando o novo método, de acordo com um tuíte da Organização Mundial de Saúde (OMS), no início dessa manhã.

Os testes laboratoriais para o coronavírus estão em falta na China, dado o elevado número de casos, e os médicos em todo o mundo estão relatando falsos negativos. O Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) realizou uma coletiva de imprensa na quarta-feira para anunciar que centenas de testes distribuídos nos EUA tinham defeitos e informou a pacientes que eles não tinham a doença quando, de fato, tinham.

Os EUA têm 14 casos confirmados do vírus, mas especialistas como o antigo chefe da Food and Drug Administration (FDA, agência equivalente à Anvisa), Scott Gottlieb, diz que espera que esse número possa crescer nas próximas semanas. No Brasil, são monitorados 11 casos suspeitos e 33 já foram descartados — nenhum caso foi confirmado até agora.

Gottlieb disse ontem ao Washington Post que acredita que os médicos americanos estão detectando talvez 25% dos casos de coronavírus “na melhor das hipóteses”, acrescentando que “devemos ver os surtos começarem a surgir nas próximas duas a quatro semanas.”

Enquanto alguns especialistas em saúde fora da China parecem cautelosamente otimistas de que os novos métodos de notificação em Hubei fornecerão um retrato mais preciso da crise de saúde pública atualmente em curso na Ásia, e talvez mostrem que a doença é menos mortal do que se acreditava anteriormente, outros estão preocupados que a tomografia computadorizada possa captar outros casos de pneumonia que não foram causados especificamente pelo novo coronavírus.

Um especialista em saúde pública que estava cético quanto aos novos métodos de diagnóstico disse ao New York Times que “estamos navegando em território desconhecido”.

Os novos métodos de identificação da doença não estão sendo usados fora da província de Hubei, segundo o porta-voz da Comissão de Saúde de Xangai, Zheng Jin, que deu uma coletiva de imprensa na quinta-feira. Não está claro se outras grandes cidades chinesas como Pequim e Xangai, que têm apenas 366 e 315 casos confirmados, respectivamente, começarão a usar o novo método em breve.

Um menino chinês coberto por um saco plástico em PequimUm menino chinês coberto por um saco plástico em Pequim, no dia 12 de fevereiro de 2020. Foto: Getty

O Partido Comunista Chinês repreendeu alguns líderes locais e demitiu o secretário do partido da província de Hubei, Jiang Chaoliang, na quinta-feira, depois de o sentimento público na região atingida piorar bastante. Jiang será substituído pelo prefeito de Xangai, Ying Yong, de acordo com o New York Times.

Grandes aglomerações públicas foram proibidas na China, com dezenas de milhões de pessoas em uma espécie de quarentena virtual. Organizadores de eventos e organizações cívicas em todo o mundo também estão reduzindo suas atividades.

O Mobile World Congress em Barcelona, na Espanha, que estava programado para começar a partir do dia 24 de fevereiro, foi cancelado. Muitas grandes empresas que planejavam participar da feira, incluindo Facebook, Cisco, AT&T, Sprint e Sony, já haviam anunciado que não iriam mais para o evento.