Ciência

Cientistas encontram célula que ajuda a prever cura do câncer de pele

Tipo raro de célula T, dos sistema imunológico, pode indicar o sucesso da resposta de pacientes à imunoterapia, o tratamento de câncer
Imagem: National Cancer Institute/ Unsplash/ Reprodução

Segundo um novo estudo publicado na revista Nature Cancer, um tipo raro de célula imunológica pode ajudar a prever quais pacientes vão se beneficiar mais das imunoterapias contra o câncer de pele.

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Em geral, quando um tumor se desenvolve no organismo, ele enfraquece o sistema imune, suprimindo as células que poderiam atacá-lo. É dessa forma que um câncer cresce descontroladamente.

No entanto, as imunoterapias buscam reverter esse processo reativando as células T, imunológicas, que podem reconhecer as mutações cancerígenas e, então, matar os tumores. 

Segundo a autora do estudo, Yin Wu, ainda assim alguns cânceres com poucas mutações conseguem responder muito bem à imunoterapia. Por isso, pesquisadores imaginavam haver outras células imunológicas que podem detectar a doença, mesmo na ausência de mutações.

O que diz a nova pesquisa

Então, os cientistas analisaram dados de ensaios clínicos de 127 pacientes com melanoma, um tipo de câncer de pele. Todos eles eram tratados com imunoterapia.

Os pesquisadores descobriram que a presença de células T Vd1-gd era altamente preditiva de respostas positivas ao tratamento. Esse é um tipo raro de célula T, que faz parte do sistema imunológico.

Em geral, sua capacidade de prever bons resultados se mostrou ainda mais precisa em cânceres com poucas mutações. Isso indica sua capacidade de matar as células cancerígenas sem a necessidade delas terem muitas alterações.

Além disso, a pesquisa também encontrou evidências de que as células T Vd1-gd são mais resistentes aos ataques dos tumores quando comparadas às células T mais comuns. Dessa forma, terapias que utilizam as T Vd1-gd podem funcionar por períodos mais longos.

Por fim, os cientistas isolaram e cultivaram essas células a partir de tecidos humanos. Após testes, notaram que elas podem ser reativadas por imunoterapias já usadas no sistema de saúde pública da Inglaterra (NHS), especialmente em casos de câncer de pele avançado.

Avanço no tratamento do câncer

Agora, os especialistas acreditam que o estudo pode ajudar médicos a decidir quais pacientes têm mais probabilidade de se beneficiar das imunoterapias atuais. 

“Essas terapias são caras e, principalmente, podem causar efeitos colaterais graves e duradouros, por isso é importante poder prever quando elas realmente funcionarão”, explica Shraddha Kamdar, também autora do estudo.

Além disso, os resultados também podem ajudar a desenvolver tratamentos mais eficazes para pacientes com melanoma que não se beneficiam das imunoterapias atuais.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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