Uma versão acelerada da tradicional tomografia computadorizada mostra que é possível obter imagens em escala microscópica de antigas múmias egípcias, revelando características anteriormente despercebidas como vasos sanguíneos e nervos.

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O raio-x não destrutivo e as imagens de tomografia computadorizada são um benefício para cientistas, médicos e profissionais de saúde, mas eles também são uma ferramenta indispensável para arqueólogos que buscam não mexer com os restos antigos mais do que o necessário. Quando se trata de estudar múmias antigas, essas técnicas de varredura têm sido usadas para esboçar os contornos de tecido mole e cabelo e até mesmo para revelar características internas, como músculos e ossos.

Um novo estudo de prova de conceito publicado na semana passada no periódico Radiology mostra uma versão modificada da tomografia computadorizada, chamada de tomografia computadorizada de contraste de fase, que pode ser usada para fazer imagens de tecido mole em múmias humanas em escalas microscópicas. Essa técnica de imagem detecta a absorção e a mudança de fase (parecido com como a luz muda de direção quando passa por uma lente) que acontecem quando o raio-x passa através de um objeto sólido. As imagens resultantes trazem um nível maior de contraste do que as imagens de raio-x tradicional.

a) Visão de cima e de baixo da mão mumificada; (b) Um esquema do arranjo experimental mostra a fonte de raios-x de microfoco, com a amostra colocada no estágio de rotação e o detector de raios-x. Imagem: Sociedade Radiológica da América do Norte

Esse método, que existe há cerca de dez anos, é particularmente bom para capturar o alto contraste necessário para visualizar tecidos moles, mas, até agora, só havia sido usada na medicina para escanear o interior de itens como fígados, corações e veias.

Para o novo estudo, Jenny Romell e seus colegas do Instituto Real de Tecnologia, na Suécia, queriam avaliar a eficácia do uso de tomografia computadorizada de contraste de fase em múmias. Os pesquisadores escanearam uma mão direita humana do antigo Egito mumificada. A mão lhes foi emprestada pelo Museu de Antiguidades do Mediterrâneo e do Oriente Próximo e remonta a cerca de 400 a.C. A equipe de Romell escaneou a mão inteira, seguida por uma imagem mais detalhada de uma ponta de dedo.

(a) visão de cima do esqueleto de mão; (b) seções transversais da mão mostrando detalhes internos. Imagem: Sociedade Radiológica da América do Norte

O sistema funcionou muito bem. A resolução foi boa, estimada entre 6 a 9 mícrons, o que é levemente mais do que a largura de uma célula sanguínea humana. Em uma escala tão pequena, os pesquisadores conseguiam visualizar os vasos sanguíneos, diferentes camadas de crescimento da pele, células adiposas e nervos das múmias.

Para arqueólogos, isso traz uma nova maneira de escanear restos antigos de um jeito não invasivo e altamente detalhado.

“Assim como a tomografia computadorizada se tornou um procedimento padrão na investigação de múmias e outros restos antigos, vemos a tomografia computadorizada de contraste de fase como um complemento natural para os métodos existentes”, disse Romell, em um comunicado. “Esperamos que a tomografia computadorizada de contraste de fase chegue aos pesquisadores médicos e aos arqueólogos que há muito tempo têm dificuldades em obter informações de tecidos moles e esperamos que um uso bastante difundido do método de contraste de fase leve a novas descobertas no campo da paleopatologia.”

O novo método é bem legal, e não vemos a hora de saber até onde os arqueólogos podem levar isso. De repente, todas essas múmias empoeiradas em exposições nos museus ao redor do mundo se tornem “novas” mais uma vez.

[Radiology]

Imagem do topo: Sociedade Radiológica da América do Norte