Em outubro de 2017, uma mão esculpida em bronze com um punho dourado foi descoberta por uma dupla de caçadores de tesouros. A peça foi datada em 3.500 anos. Arqueólogos nunca tinham visto algo parecido e não sabem explicar seu propósito ou função. Agora, a mão é centro de uma investigação criminal.

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A mão de bronze e o punho dourado, junto com um punhal e um osso de costela humano foram descobertos por detectores de metal próximos ao Lago de Bienna, em Jura Bernense. O local está a cerca de 45 quilômetros de distância de Berna, capital da Suíça. Os ítens foram cedidos a especialistas do Departamento de História Antiga e Arqueologia Romana do Serviço Arqueológico de Berna, um dia após a descoberta.

A mão de Prêles, como foi chamada, é pouco menor do que uma mão adulta e foi fundida a partir de cerca de meio quilo de bronze, de acordo com a National Geographic. A datação por radiocarbono da cola orgânica, baseada em vegetais, que foi utilizada para colar a faixa dourada nos pulsos da mão apontam que o artefato foi feito entre 1.500 e 1.400 a.C., durante a Idade do Bronze. Os arqueólogos que estudam a mão, liderados por Andrea Schae, dizem que há dúvidas de que a mão tenha sido usada. Uma espécie de soquete dentro da mão sugere que ela foi montada em um corpo de algum tipo.

A mão de bronze e o punho dourado. Imagem: Archaeological Service of the Canton of Bern/Philippe Joner

O time de Schae retornou ao local em Jura Bernense para conduzir mais escavações. Eles descobriram que um túmulo, possivelmente uma tumba, “sofreu danos significativos a partir do resultado do trabalho recente”, conforme escreveram os pesquisadores no comunicado.

E parece que há algo errado nessa história. O pessoal do SwissInfo noticia que existem indícios de que alguns objetos foram roubados do local. Um porta-voz do Serviço Arqueológico de Berna confirmou ao Gizmodo que “uma investigação criminal está em curso” e que, por isso, eles “não podem dar informações detalhadas”.

O local em que a mão de bronze o outros artefatos foram encontrados. Imagem: Archaeological Service of the Canton of Bern/Guy Jaquenod

Apesar disso, os pesquisadores conseguiram descobrir mais itens no local, incluindo ossos de um homem de meia idade, um longo alfinete de bronze, uma espiral de bronze provavelmente usada como um ornamento para o cabelo, pedaços de folha de ouro (provavelmente da mão) e um dos dedos faltantes da escultura. Os arqueólogos dizem que a mão provavelmente foi enterrada com o homem. E não sabemos praticamente nada sobre ele.

Sob o túmulo, os pesquisadores descobriram ainda uma estrutura baseada em pedra. Aparentemente, “o homem e a mão de bronze foram deliberadamente enterrados sobre esta construção mais antiga”, escrevem os pesquisadores no comunicado de imprensa. “Ele deve ter sido uma pessoa de uma alta casta social.” Este é um tipo de sepultamento excepcional da Idade do Bronze na Suíça, algo sem precedentes. Com as informações atuais, os arqueólogos podem dizer que a mão de bronze é única.

“Para o conhecimento de especialistas suíços, alemães e franceses, nunca houve uma escultura comparável a essa, que date da Idade do Bronze na Europa Central”, diz o material. “A mão de Prêles é, até agora, a mais antiga peça de bronze que representa uma parte do corpo humano. É, portanto, um objeto único e notável”.

Um artigo de pesquisa formal que descreve as descobertas está sendo redigido, mas os pesquisadores ainda estão tentando descobrir se os itens foram manufaturados nessa região, ou fabricados em um local distante. Eles também estão com dificuldades para entender o propósito da escultura.

“Não sabemos nem o significado, nem a função atribuída à mão”, dizem os pesquisadores. “Seu ornamento dourado sugere que trata-se de um emblema de poder, um sinal distintivo de uma elite social ou mesmo de uma divindade. A mão se estende por uma forma oca que sugere que ela foi originalmente montada em outro objeto: talvez fosse parte de um cetro ou de uma estátua”.

Infelizmente, a análise tem sido complicada pela condição conturbada do local; os pesquisadores não tiveram a oportunidade de observar o túmulo em seu estado original, sem nenhum tipo de perturbação. E aqui fica uma lição: se você é um caçador de tesouros, ou uma pessoa que acidentalmente encontrou algo de importância arqueológica, pare o que está fazendo e chame os especialistas. Caso contrário, você poderia estar saqueando e destruindo a história.

[Archaeological Service of the Canton of Bern via National Geographic]

Imagem do topo: A mão de bronze e outros itens encontrados no local, na Suíça. Crédito: Archaeological Service of the Canton of Bern/Philippe Joner