Clima: como a produção de chocolate pode ajudar no combate ao aquecimento global

No Dia Mundial do Meio Ambiente, veja este projeto em parceria com fábrica de chocolate que transforma cascas de cacau em biochar, um fertilizante que armazena toneladas de carbono por séculos
Dia do Chocolate: como o cacau pode salvar seus dentes
Imagem: Rodrigo Flores/Unsplash/Reprodução

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente (5), é bom lembrar: hoje, a Terra está retendo muito mais calor do que o necessário – e pode esquentar 2,4°C até o final do século. O cenário, previsto pela organização Climate Action Tracker, está entre vários que ultrapassam o limite de 2°C estabelecido pelo Acordo de Paris e preveem um resultado catastrófico para o planeta.

O aumento da temperatura média acontece por causa da intensificação do efeito estufa. Em condições normais, uma camada de gases aprisiona parte da radiação solar que chega à Terra e mantém o planeta quentinho e propício à vida como a conhecemos.

Lance toneladas de CO2 (gás carbônico) na atmosfera e você aumentará a quantidade de calor presa por aqui. É isto que vem acontecendo desde o século 20.

Há algumas maneiras de tentar mitigar o problema e frear as mudanças climáticas. Você pode, por exemplo, investir no reflorestamento. Veja só: a fotossíntese das plantas pega o CO2 que está na atmosfera e transforma este carbono em raízes, galhos e folhas (ele é a matéria-prima de seres vivos como plantas, eu e você). Por isso, diz-se que as florestas “sequestram” toneladas de carbono: elas guardam tal material consigo e impedem que ele se acumule na atmosfera.

Mas você também pode investir em soluções mais inusitadas – relacionadas, por exemplo, à produção de chocolate.

Chocolate e mitigação das mudanças climáticas

Uma das estratégias consideradas mais promissoras para remover carbono da atmosfera é o biochar: um carvão vegetal produzido a partir da pirólise de biomassa, ou seja, da queima de material orgânico em um processo sem oxigênio a temperaturas aproximadas de 600°C. (Note que a palavra “biochar” é a junção de duas em inglês: biomass, “biomassa”, e charcoal, “carvão”.)

Uma das maiores fábricas europeias de biochar, da Circular Carbon, trabalha justamente com chocolate. Mais precisamente, com o que sobra da produção de chocolate de uma fábrica vizinha. A produtora de biochar, na cidade alemã de Hamburgo, recebe cascas de cacau usadas. E transforma este material orgânico aparentemente sem utilidade em um amontoado de pó preto,  vendido em grânulos aos agricultores locais. 

Se as cascas de cacau fossem descartadas normalmente, o carbono ali contido voltaria para a atmosfera à medida que o cacau se decompõe. Em vez disso, este carvão vegetal –que pode aumentar a absorção de água e nutrientes pelo solo substituindo fertilizantes artificiais– aprisiona o carbono por centenas de anos.

Os resultados do projeto

Estima-se que uma tonelada métrica de biochar pode armazenar de 2,5 a três toneladas de CO2. De acordo com o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) da ONU, em condições ideais o biochar poderia capturar 2,6 bilhões das 40 bilhões de toneladas métricas de CO2 produzidas pela humanidade a cada ano.

O processo de produção do carvão vegetal também produz biogás, que é revendido para a fábrica vizinha – afinal, para garantir que o sistema armazene mais carbono do que produz, é preciso que ele funcione localmente, sem a necessidade de transporte que utilize combustíveis fósseis e lance mais CO2 na atmosfera. 

A cada ano, a indústria de Hamburgo produz 3,5 mil toneladas de biochar. E “até 20 megawatts-hora” de gás a partir de 10 mil toneladas de cascas de cacau vindas da produção de chocolate. Peik Stenlund, CEO da Circular Carbon, afirma que a ideia é abrir três novos locais para produzir mais biochar nos próximos meses.

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