O conceito de casa inteligente ainda não está muito difundido no Brasil, mas já existem opções para quem quer deixar o lar um pouco mais High-tech. Uma boa porta de entrada nesse universo é através das lâmpadas inteligentes que se conectam através do seu smartphone, permitindo que você controle a intensidade ou troque as cores da luz. E hoje eu te conto minha experiência com três dessas opções: a Positivo Smart Lâmpada; a WiZ A60; e a Philips Hue White & Color.

Para este comparativo, eu testei a versão única de cada produto — a Philips me enviou o Starter Kit que inclui três lâmpadas mais um interruptor, mas para ficar justo, eu usei apenas uma unidade da lâmpada. Todas estão disponíveis no mercado brasileiro e, apesar de funcionarem praticamente da mesma maneira, o que pode pesar na hora da compra é o preço, pois há uma diferença gritante entre o modelo mais barato e o mais caro, que pode custar até R$ 350.

Como as lâmpadas funcionam

O processo de configuração é o mesmo para as três lâmpadas. Primeiro, você baixa o aplicativo correspondente a cada uma delas no seu celular e segue pela tela de instalação para adicioná-las. Tanto a Positivo quanto a Philips exigem que você complete um cadastro com e-mail e senha; no app da WiZ, isso é opcional, o que significa que você pode partir direto para a seleção e personalização da lâmpada.

Outra similaridade é que, na Positivo e WiZ, o funcionamento acontece somente por Wi-Fi na frequência de 2,4 GHz, e apenas a Philips é compatível com Bluetooth e com o padrão Zigbee. Não que isso seja um ponto muito decisivo: a maioria das lâmpadas inteligentes seguem no formato de compatibilidade apenas no Wi-Fi. Além disso, todas possuem integração com assistentes pessoais, como a Alexa e o Google Assistente. Neste caso, você precisa configurá-las também em cada dispositivo separadamente ou pelo aplicativo do assistente no seu celular.

WiZ A60

As potências das lâmpadas também são parecidas. A WiZ A60 possui 8,8 Watts, enquanto a Positivo Smart Lâmpada e a Philips Hue contam com 9 Watts. Elas são vendidas no soquete do tipo E27, um dos padrões mais populares e que certamente deve dar certo em algum bocal aí da sua casa, seja no teto, luminárias ou abajures.

As três podem exibir até 16 milhões de cores e podem atingir níveis variados de branco: 2.000 a 6.500 K (Philips Hue), 2.200 a 6.500 K (WiZ), e 2.700 a 6.500 K (Positivo). O fluxo luminoso, por sua vez, é liderado pela Positivo (806 lúmens), com Philips e WiZ na faixa dos 800 lúmens cada. Já na vida útil, a opção da Philips sai na frente com 25 mil horas, seguida pelas lâmpadas da WiZ e Positivo com até 15 mil horas cada.

Na prática

Tirando um detalhe aqui e outro lá, no geral, a experiência com as três lâmpadas foi praticamente a mesma. Para facilitar, vou dividir em dois tópicos que senti uma diferença entre elas: os níveis de branco e de cores quentes, e a customização das luzes pelo aplicativo.

Começando pelos níveis de branco, eu percebi que todas as lâmpadas conseguiram iluminar muito bem os ambientes. As opções da Positivo e da WiZ se saíram ligeiramente melhores por terem um brilho máximo bastante intenso. E isso mesmo em áreas menores, o que foi excelente aqui em casa, onde os cômodos não são grandes. A Philips também tem um bom nível de branco, mas não com a mesma força das concorrentes. Logo, se você quiser colocar a lâmpada em um espaço maior, provavelmente terá que adquirir uma segunda lâmpada. Em outros tons frios, a WiZ foi a minha favorita justamente por conta da intensidade de brilho.

Coloquei alguns desses exemplos na galeria abaixo:

Quanto às demais cores, principalmente as quentes, a Philips Hue ganha disparada da WiZ e da Positivo. E aqui entra um contraponto: se no branco a Hue não tem um grande destaque, em tons mais coloridos ela se sobressai de maneira muito eficiente. Só que há um porém: não são todas as cores que se beneficiam dessa característica. Por exemplo, no laranja, azul, verde e amarelo, os cômodos em que testei a Philips Hue ficaram bem escuros. As cores que mais deram certo foram o vermelho e roxo.

Esse mesmo problema acontece nas lâmpadas da WiZ e da Positivo. A menos satisfatória é a Smart Lâmpada da Positivo porque, a não ser que você use sempre branco, qualquer cor fica com uma intensidade muito baixa, deixando o ambiente todo escuro.

Philips Hue

Partindo para a experiência nos aplicativos, a plataforma que mais me cativou foi a da lâmpada WiZ. Além das configurações básicas que você encontra nas rivais, a fabricante criou um longo catálogo de modos pré-definidos que variam de acordo com momentos específicos. Vai dar uma festa (depois da pandemia, claro)? Basta selecionar o modo com o mesmo nome para que as luzes pisquem e mudem de cor periodicamente. No modo “Natal”, a lâmpada pulsa entre tons de verde e vermelho; o modo “Lareira” tem o mesmo efeito pulsante, mas nas cores laranja e amarelo para simular o fogo.

Tudo isso, assim como os demais modos, podem ser personalizados. Se você não gostar da intensidade com que as luzes pulsam ou acha que poderiam piscar em um intervalo de tempo menor, é só ajustar os níveis de iluminação e deixar do jeito que quiser. Existem ainda modos chamados “Ritmos” para você programar a lâmpada para começar a acender e apagar em um determinado horário do dia, além do modo “Férias”, que ativa as luzes automaticamente de manhã e à noite para que quem olhe de fora ache que tem alguém dentro de casa enquanto você estiver viajando. Se isso espanta ladrões, eu não sei, mas funciona.

App da Positivo Smart Lâmpada
App da WiZ A60
App da Philips Hue

Apesar de o app da Philips Hue não ter o mesmo nível de personalização da WiZ, ele ainda é uma opção melhor que o aplicativo da Positivo porque tem mais modos pré-configurados e é mais fácil de adicionar novas lâmpadas. Não é que o app da Positivo deixe a desejar: ele só é bem mais simples quando comparado aos concorrentes.

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E qual vale mais a pena?

Levando em consideração o custo-benefício, a WiZ A60 é a melhor lâmpada inteligente entre as opções citadas neste comparativo. Custando R$ 105 a unidade, o produto entrega bons níveis de branco e cores quentes/frias, tem fácil configuração que não depende de cadastro — é só ligar no Wi-Fi para começar a usar — e tem o aplicativo mais completo para personalização das luzes que ficarão nos ambientes da casa.

Se você não se importa tanto com essa customização e deseja apenas uma lâmpada inteligente que atenda aos requisitos básicos desse tipo de produto, pode partir direto para a Positivo Smart Lâmpada. Ela custa em média R$ 85, ou seja, R$ 20 a menos do que a WiZ, o que possibilita que você compre mais lâmpadas e automatize mais cômodos do lar por um preço menor. Neste caso, quanto mais lâmpadas, maior será o custo-benefício.

Positivo Smart Lâmpada

E quanto à Philips Hue? Se posso fazer um comparativo, eu diria que essa seria uma opção equivalente à estratégia Apple: é um produto excelente e que funciona ainda melhor em um ecossistema de iluminação com múltiplas lâmpadas da Philips. Só que isso custa uma fortuna, e cada lâmpada separada não sai por menos de R$ 350. Existem kits que saem mais caros ainda, o que torna inviável indicar a Hue quando existem lâmpadas que fazem a mesma coisa por um valor mais competitivo.