Quando criança, Estella (Tipper Seifert-Cleveland) era uma rebelde com cabelos de duas cores nascida para dificultar a vida de figuras de autoridade. Sua mãe, Catherine (Emily Beecham), incentivava Estella a lutar contra o desejo de se chamar Cruella e se misturar com a sociedade.

Quando uma tragédia acontece, Estella é deixada nas ruas para crescer como uma batedora de carteira que deseja ser estilista. Já adulta, ela (interpretada por Emma Stone) tem um encontro casual com a rica estilista Baronesa (Emma Thompson). A partir daí ela aprende mais sobre seu passado e seus talentos como nunca imaginou.

“Cruella” é o futuro das histórias de origem dos vilões da Disney? Espero que não. É fácil dizer por qual direção a Disney quer seguir: produzir um conteúdo para seus fãs mais velhos. Você não precisa sugar a cor de tudo ou criar um conteúdo de duas horas para isso, mas “Cruella” faz exatamente isso.

Emma Stone merece nota 11 por sua atuação como Cruella De Vil. Seu sotaque britânico às vezes distrai, mas no geral a atriz é divertida de assistir. No entanto, o roteiro de Dana Fox e Tony McNamara é o problema.

“Cruella” está fora de foco. O filme conduz o público de um ponto a outro para chegar à grande revelação, sem nos dar nada em que nos agarrarmos enquanto isso. Imagine se a narrativa seguisse uma linha de pensamento. Talvez assim o filme não tivesse mais de duas horas de duração. Cruella e a Baronesa são as únicas personagens com desenvolvimento, o resto são adereços esquecíveis que desaparecem no fundo.

Sou obrigada a ter empatia?

Devo sentir pena de Cruella De Vil? De que adianta angariar simpatia quando sabemos que ela acaba se revelando uma socialite odiosa, sociopata e abusadora de animais? A Disney quer nos dar antivilões, pessoas pelas quais podemos torcer, apesar de serem horríveis.

Isso me faz pensar que eles esquecem o motivo de os fãs gostarem de alguns desses vilões. Nós os amamos porque os odiamos — eles não precisam de nossa empatia. Não me importo com essa mulher que despreza os dálmatas! Este modelo está rapidamente se tornando cansativo. Não apenas na Disney, mas nos filmes de origem do vilão em geral. Eu superei.

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O que eu gostei na Cruella foi o figurino de Jenny Beavan, o desenho de produção de Fiona Crombie e o trabalho dos departamentos de maquiagem/arte. Emma Stone usa os trajes punk de Beavan com talento e entusiasmo. A cena em que Cruella chega a uma das festas da Baronesa com “o futuro” pintado com spray em seu rosto é um golpe de gênio.

Emma Stone como Cruella De Vil
Imagem: Disney

E embora os cenários sejam mal iluminados, eles são maravilhosamente projetados para capturar a umidade decadente da Londres dos anos 1960. Os carros, edifícios, a moda — nenhum detalhe é poupado para garantir que a autenticidade máxima seja alcançada. Tudo se mescla tão bem que parece uma exposição no Metropolitan Museum of Art.

Veja bem, um filme não precisa de fantasias bonitas para ser divertido, mas precisa de uma boa narrativa — e esse é o ingrediente que faltava em Cruella.