O estado do Colorado, nos EUA, abriu na quarta-feira (11) a segunda estação de testes de coronavírus drive-thru do país em Denver, de acordo com um comunicado de imprensa enviado ao Gizmodo na terça-feira. Mas há um problema: as pessoas só podem fazer o teste se receberem um encaminhamento médico recomendando exame para o vírus.

O centro de testes abre às 10h, horário local, e fecha às 14h. A unidade drive-thru estará aberta apenas até a sexta-feira desta semana, e o estado anunciará em breve pela internet a programação da próxima semana. O teste é gratuito e não é necessário provar seguro de saúde.

“Este centro ajudará o estado a testar o maior número possível de pessoas e a melhorar a resposta da saúde pública, identificando e isolando aqueles que estão doentes”, afirmou o Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente do Colorado em comunicado. “Essa abordagem também ajuda a proteger idosos e pessoas com sistemas imunológicos comprometidos.”

Atualmente, existem mais de 1.039 casos confirmados de COVID-19 nos EUA, com pelo menos 29 mortes, de acordo com o rastreador on-line mantido pela Universidade Johns Hopkins, um dos mais confiáveis disponíveis na rede. O país tinha apenas 159 casos confirmados e 11 mortes há uma semana.

As pessoas que desejam fazer o teste no novo drive-thru devem obter um encaminhamento médico por email ou fax e não devem visitar a clínica local pessoalmente, de acordo com as autoridades de saúde do Colorado. É necessário que os pacientes tenham uma forma de identificação (carteira de motorista, identidade escolar, crachá de trabalho etc.) que corresponda ao nome no encaminhamento. As autoridades de saúde do Colorado também alertam que, se houver várias pessoas em um veículo, cada uma deverá ter o seu encaminhamento.

As autoridades do Colorado também alertam que pode haver longos tempos de espera e não há banheiros disponíveis nas instalações de teste. As pessoas que são testadas no novo drive-thru permanecerão no carro o tempo todo enquanto recebem um teste swab. Serviços de tradução também estarão disponíveis para pacientes que não falam inglês.

O Colorado anunciou dois novos casos de COVID-19 na tarde de terça-feira, incluindo um homem de 50 anos no condado de Jefferson e uma adolescente em Denver. Atualmente, o estado tem 17 casos conhecidos do novo coronavírus em pacientes que vão de crianças em idade escolar a pessoas na faixa dos 70 anos. O estado não tem mortes, que ocorreram principalmente no estado de Washington até agora.

Washington abriu a primeira unidade de testes drive-thru do país no Centro Médico da Universidade de Washington, no norte de Seattle, na sexta-feira (6), mas ela está aberta apenas para funcionários da área de saúde do centro e estudantes de medicina que estão apresentando sintomas da doença. Essa instalação pode testar entre 40 e 50 pessoas por dia, de acordo com a TV local KIRO7.

A Coreia do Sul foi o primeiro país a introduzir testes drive-thru, que ajudaram a testar cerca de 200 mil pessoas gratuitamente. Alemanha, Austrália e Itália também implementaram testes drive-thru como forma de incentivar mais testes para a doença.

Mas os EUA estão muito atrás do resto do mundo, tanto em testes drive-thru quanto em testes clínicos, depois que o Centers for Disease Control (CDC) enviou kits de teste com defeito na primeira semana de fevereiro. O governador do Colorado, o democrata Jared Polis, anunciou em uma entrevista coletiva na terça-feira que o estado ainda não tem testes suficientes para avaliar adequadamente quantos casos podem existir na região. Polis observou que recentemente teve uma ligação telefônica com o vice-presidente Mike Pence, chefe da força-tarefa de coronavírus do governo Trump, para falar do assunto.

“Na conversa, que durou cerca de 20 minutos, enfatizei a necessidade de mais testes, um aumento exponencial, no Colorado”, disse Polis.

O governador Polis declarou estado de emergência na terça-feira, algo que pelo menos 11 outros estados fizeram até agora. Declarar um estado de emergência permite que os estados obtenham acesso mais fácil à ajuda federal e geralmente afrouxa regras que de outra forma proibiriam ações rápidas para combater uma crise de saúde pública. O estado de emergência de Nova York, por exemplo, permite que as autoridades estaduais de saúde adotem regras sem precisar de quorum em reuniões públicas, como explica a CNN.

Cerca de apenas 5 mil pessoas foram testadas para o COVID-19 nos Estados Unidos, algo que preocupa especialistas em saúde pública que acreditam que o vírus está muito mais difundido do que se sabe. Mas quando o presidente Trump foi questionado sobre o fracasso dos testes nos EUA ontem, ele negou que houvesse um problema.

“Os testes foram muito bem”, disse Trump a repórteres na terça-feira (10). “E quando as pessoas precisam de um teste, podem fazer um teste. Quando os profissionais precisam de um teste, quando precisam de testes para as pessoas, eles podem fazer o teste. ”

Isso simplesmente não é verdade em grandes partes do país, como o Colorado. E uma nova reportagem do New York Times revela que as autoridades federais intervieram ativamente para interromper testes clínicos na região de Seattle no final de fevereiro porque os pacientes não tinham histórico de viagens conhecido para países com altas concentrações da doença.

Do New York Times:

O caso era de um adolescente, no mesmo município em que o primeiro caso de coronavírus havia surgido, que havia realizado uma teste swab da gripe alguns dias antes, mas não possuía histórico de viagens nem vínculo com nenhum caso conhecido.

O laboratório estadual [em Washington], finalmente apto a iniciar os testes, confirmou o resultado na manhã seguinte. O adolescente, que havia se recuperado de sua doença, foi localizado e informado logo após entrar no prédio da escola. Ele foi enviado para casa e a escola mais tarde foi fechada por precaução.

Mais tarde naquele dia, os investigadores e as autoridades de saúde de Seattle se reuniram com representantes da CDC e do FDA para discutir o que aconteceu. A mensagem do governo federal foi direta. “O que eles disseram naquele telefonema para Helen Chu claramente foi cessar e desistir”, lembrou Lindquist. “Pare de testar.”

O tratamento da crise de coronavírus pelo governo Trump é um escândalo nacional, para dizer o mínimo. E conforme fica claro que muitos estados não têm o equipamento de laboratório necessário para realizar um grande número de testes, como relatou o Politico na terça-feira (10), a pandemia de coronavírus vai piorar muito antes de melhorar.