O CEO da Apple, Tim Cook, tem estado bem próximo de Donald Trump e, até agora, ele tirou muito proveito dessa relação. Cook, junto com outros gigantes da indústria, buscou enormes cortes de impostos corporativos, algo que Trump ficou mais do que feliz em assinar no fim do ano passado. Isso ajudou a Apple a evitar US$ 50 bilhões em taxas, possibilitando sua recompra voraz de ações. Cook também teria garantido um tipo de compromisso de que iPhones montados no exterior não seriam sujeitos a tarifas na guerra comercial de Trump com a China.

• O que esperar do evento que anunciará novos iPhones nesta semana
• Os próximos iPhones grandões devem se chamar iPhone Xs Max

Bom, Cook pode ter saído na frente com os impostos, mas parece que Trump está preparando uma apunhalada em suas costas quanto às tarifas. Nesta semana, a Apple informou em um comunicado regulatório que as tarifas poderiam elevar o custo de vários produtos (e/ou seus componentes) em 25%, dizendo que US$ 200 bilhões em tarifas propostas prejudicariam os Estados Unidos mais do que a China. A Apple não incluiu o iPhone nessa lista, possivelmente por causa da imunidade prometida para esse produto específico, mas ela incluiu, sim, produtos como AirPods, Apple Watch, Mac Mini e outros. Ainda assim, como apontado pelo Washington Post, na sexta-feira (7), Trump ameaçou um adicional de US$ 267 bilhões em tarifas que “poderiam cobrir virtualmente todos os bens fabricados na China entrando nos Estados Unidos”.

Isso significação que a isenção do iPhone poderia potencialmente ser descartada, e Trump não parece feliz que a Apple não tenha ficado quieta. No sábado (8), o presidente dos EUA reconheceu quantos produtos da Apple poderia estar sujeitos a tarifas, mas propôs uma “solução fácil”: se a empresa mover sua cadeia de produção para os Estados Unidos, “haveria ZERO impostos e, na verdade, haveria um incentivo fiscal”.

(“Os preços da Apple podem aumentar por causa das enormes tarifas que podemos estar impondo à China – mas existe uma solução fácil, em que haveria ZERO impostos e, na verdade, haveria um incentivo fiscal. Faça seus produtos nos Estados Unidos em vez da China. Comece a construir novas fábricas agora. Emocionante! #MAGA”)

O Washington Post escreveu:

A Apple se recusou a comentar o tuíte do presidente.

… As tarifas são prioridade para o CEO da Apple, Tim Cook, que pessoalmente fez lobby com Trump, durante meses, em questões de impostos e comércios, até mesmo jantando com o presidente e a primeira-dama Melania Trump, em Bedminster, Nova Jersey, no mês passado. A diplomacia pessoal de Cook segue em contraste gritante com a de alguns de seus colegas na indústria tecnológica, que não se envolveram com Trump diretamente — e que, frequentemente, são alvos de tuítes muito mais agressivos do presidente atacando suas práticas de negócios.

Não está claro o que Trump quer dizer com “ZERO impostos” — provavelmente, ele está se referindo às tarifas, mas vai saber. Mas esse meio que não é o ponto: como notou o Verge, se a Apple mudasse sua cadeia de fornecimento para os Estados Unidos, isso aumentaria drasticamente os gastos, ao ponto de ultrapassar qualquer tarifa. Trump está movendo os postes novamente, criando uma situação em que a Apple (ou o próprio Trump) não pode vencer. E ele parece estar preparando o terreno para que ele torne a empresa um de seus vários bodes expiatórios no futuro.

A Apple vai ficar bem. Ela é uma empresa de um trilhão de dólares, afinal. Mas parece muito que aquela rusga da campanha está crescendo novamente e que Trump vai jogar para a Apple a responsabilidade por essas promessas vazias de que a empresa vá mudar sua produção para os EUA. Espero que a comida nos eventos na Casa Branca tenha sido boa.

[Washington Post]

Imagem do topo: AP