O Project Wing, da Alphabet, empresa-mãe do Google, obteve aprovação da Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) para conduzir voos comerciais com drones no estado da Virgínia.

A empresa, às vezes chamada simplesmente de Wing, vem realizando testes no estado desde 2016, mas a nova autorização da FAA permitirá que ela finalmente venda coisas como alimentos ou medicamentos encomendados pelos consumidores por meio do aplicativo da Wing.

A Wing recebeu aprovação para entregas via drones comerciais na Austrália no início deste mês, algo inédito no mundo. A empresa fez parceria com restaurantes, cafés e farmácias locais para entregar mercadorias em cerca de 100 casas nos subúrbios da capital da Austrália, Canberra. A Wing diz que realizou mais de 70 mil voos de teste e completou mais de três mil entregas em domicílio na Austrália até o momento.

Depois da certificação desta terça-eira (23), a Wing poderá fazer o mesmo nos EUA, embora não esteja imediatamente claro quais serão os primeiros parceiros de entrega da empresa. Testes anteriores realizados pela Wing na Virgínia incluíram o envio de burritos da Chipotle para estudantes da Virginia Tech em um ambiente controlado, mas a empresa estará entrando em contato com empresas nas áreas de Blacksburg e Christiansburg para mostrar a tecnologia e “obter feedback”, de acordo com uma declaração enviada pela FAA por e-mail para o Gizmodo. A Wing diz que espera começar as entregas “ainda neste ano”.

A Wing publicou uma declaração no Medium nesta manhã, explicando os benefícios potenciais da entrega via drones:

Para as comunidades de todo o país, isso apresenta novas oportunidades. Bens como medicamentos ou alimentos podem agora ser entregues mais rapidamente por drone, dando às famílias, trabalhadores com horários pouco convencionais e outros consumidores ocupados mais tempo para fazer as coisas que importam. A entrega pelo ar também proporciona maior autonomia para aqueles que precisam de assistência com mobilidade. Além disso, os drones totalmente elétricos reduzirão o tráfego nas estradas e a poluição e as emissões de carbono nos céus.

Os drones da Wing evoluíram ao longo dos anos, e a empresa se orgulha de eles serem completamente elétricos e sem emissões. Seu modelo atual de aeronaves não tripuladas decola antes de ser equipado com um pacote de entrega, como você pode ver no GIF abaixo, da Austrália.

Sanduíches e café são preparados para entrega via drones da Wing na Austrália. GIF: Wing/YouTube

O maior problema que ainda tem de ser resolvido é o ruído gerado pela aeronave. Drones podem ser muito barulhentos, já que passam zumbindo em áreas residenciais. Os modelos atuais podem voar a até 121 metros de altura e são guiados por algoritmos de aprendizado de máquina, de acordo com a empresa. Eles têm uma velocidade máxima de 120 quilômetros por hora.

A Wing não é a única empresa que está trabalhando na entrega via drones, mas é a primeira a fazer seu negócio comercial decolar, com o perdão do trocadilho. A Amazon prometeu em dezembro de 2013 que as entregas por drones estavam a apenas cinco anos de distância. Acontece que a gigante da tecnologia estava quase certa, tirando o fato de que não seria ela a empresa a fazer isso com sucesso. Apesar dos avanços, entregas via drone cobrindo todo o território dos EUA seguem algo distante no futuro.

“Este é um passo importante para o teste seguro e para a integração de drones em nossa economia”, disse a secretária de Transportes dos EUA, Elaine L. Chao, em um comunicado enviado por e-mail ao Gizmodo. “A segurança continua sendo a nossa prioridade número um à medida que essa tecnologia continua a se desenvolver e a alcançar todo o seu potencial.”