Se tudo ocorrer como o planejado, neste sábado (25) finalmente será lançado ao espaço o James Webb, o maior e mais poderoso telescópio espacial já construído pela NASA.

Após três décadas de atrasos e imprevistos –e quase 10 bilhões de dólares investidos– o telescópio de nova geração está pronto para revolucionar a astronomia.

Se você pretende assistir ao lançamento, preparamos um guia com tudo o que você precisa saber sobre o James Webb. Veja:

1. Para que ele serve?

Imagem: YouTube/Reprodução
  • Operando na frequência do infravermelho, o telescópio conseguirá ver mais longe do que qualquer outro instrumento.
  • Ele poderá observar as galáxias mais distantes, incluindo as primeiras a se formarem após o Big Bang.
  • Com o James Webb, os astrônomos também pretendem estudar como as galáxias evoluíram ao longo do tempo, acompanhar o ciclo de vida das estrelas e, até mesmo, observar a formação de exoplanetas.
  • Por mais que muitos digam que o James Webb será o sucessor do Hubble, na verdade, ele sucederá outro telescópio espacial da NASA, o Spitzer, aposentado no ano passado.
  • O Hubble faz observações principalmente na faixa da luz visível e ultravioleta. Já o Spitzer – assim como o James Webb – operava no infravermelho.

2. Onde ocorrerá o lançamento?

  • Devido ao tamanho do James Webb, optou-se por utilizar o foguete Ariane 5, da empresa francesa Arianespace, capaz de comportar uma carga útil tão grande. A disponibilidade desse foguete lançador faz parte da contribuição europeia para a missão.
  • O lançamento ocorrerá a partir do complexo de lançamento ELA-3 da Arianespace no espaçoporto europeu localizado perto de Kourou, Guiana Francesa, país este que faz fronteira com o estado brasileiro do Amapá.
  • A vantagem de utilizar a base de Kourou é que ela está muito perto do equador, o que significa que o giro da Terra pode dar um impulso adicional ao foguete, economizando combustível.
Imagem: Arianspace/Divulgação

3. Onde assistir ao lançamento?

  • A NASA –por meio do canal oficial da agência no YouTube (link abaixo)– começará a transmitir a partir das 5h da manhã de sábado (horário de Brasília), trazendo algumas atualizações em inglês sobre o abastecimento do foguete Ariane 5 e mostrando imagens da plataforma de lançamento de Kourou.
  • Às 8h, começa a cobertura oficial da decolagem, com a NASA transmitindo informações ao vivo, além de entrevistas e outros conteúdos previamente gravados sobre a missão.
  • A decolagem do James Webb está prevista para ocorrer às 9h20.
  • Após, a agência também pretende apresentar um “briefing” pós-lançamento às 11h da manhã.
  • Para quem tem dificuldades com a língua inglesa, é possível acompanhar o lançamento em canais brasileiros de divulgação da astronomia no YouTube, como o Space Orbit, o Space Today, entre outros.

4. Qual distância o telescópio ficará?

  • O James Webb será colocado em uma região conhecida como Ponto de LaGrange 2, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra.
  • Lá, as forças gravitacionais da Terra e do Sol se anulam, fazendo com que o telescópio fique “estacionado” –sem ele precisar fazer correções constantes de trajetória–, mas acompanhando a Terra enquanto ela gira em torno do Sol.
  • Outra vantagem é que ele permanecerá numa posição em que ficará fora das sombras projetadas pela Terra e pela a Lua, tendo uma visão desimpedida do céu e permitindo realizar observações durante 24 horas por dia, sete dias por semana.

Abaixo é possível acompanhar uma animação da órbita do Webb.

 

5. Como será o processo de implantação do telescópio?

  • Após o lançamento, o James Webb começará o trabalho de se auto desdobrar no espaço, um longo e complicado processo que deve demorar em torno de um mês.
  • Cerca de 30 minutos após a decolagem, o telescópio deverá estender o painel solar para começar a gerar energia e acionar os sistemas elétricos, de manobra e de comunicações.
  • Após 12 horas do lançamento, o telescópio fará as primeiras correções de curso para colocá-lo na trajetória do ponto de LaGrange 2.
  • A estrutura de proteção solar do James Webb será implantada três dias após o lançamento, um procedimento que deve demorar em torno de cinco horas.
  • No 4º dia no espaço, uma torre será implantada, separando os espelhos e instrumentos do telescópio.
  • No dia seguinte, é a vez da membrana de proteção solar ser instalada. Essa é considerada a parte mais crítica da missão, quando serão acionados 107 pinos para liberar a membrana. Após o procedimento, duas asas se estendem para abrir a proteção solar.
  • Com a membrana solar aberta –no décimo dia após a decolagem– é a vez do radiador ser instalado na parte de trás do espelho, para resfriar os equipamentos. Em seguida, a parte óptica do telescópio será desdobrada e travada no tripé que segura o espelho secundário.
  • No 12° dia da missão o espelho primário do telescópio é implantado. A partir daí, o telescópio já ganha a forma como vemos nas ilustrações artísticas da missão.
  • A partir daí, os 18 segmentos do espelho primário serão posicionados para a configuração de uso do telescópio.
  • Finalmente, no 29º dia, o James Webb acionará os propulsores para entrar na órbita planejada e encerrando o procedimento de implantação.

O vídeo abaixo mostra todo esse procedimento (em inglês).

6. Quando receberemos as primeiras imagens?

  • Após atingir a órbita programada, o telescópio James Webb começará a executar os procedimentos de testes e de calibração de instrumentos, antes de começar as operações científicas da missão.
  • Segundo a NASA, esse processo de preparação do telescópio levará em torno de seis meses. Ou seja, as operações científicas devem começar de fato apenas em junho de 2022.
  • Entretanto, a agência espacial afirma que algumas imagens captadas pelo James Webb poderão ser divulgadas antes desse prazo.
  • Vale ressaltar que por funcionar na faixa do infravermelho, as imagens não devem ser tão bonitas quanto ao do Hubble.
Imagem: NASA, ESA, SSC, CXC, STScI

7. E se der algum problema?

  • Diferentemente do Hubble, que foi desenvolvido para receber upgrades periódicos, o Webb não poderá passar por algum tipo manutenção caso ele sofra alguma avaria.
  • Como ele estará distante, em uma órbita além da Lua, seria caro, impraticável e perigoso enviar uma missão tripulada até lá para fazer algum conserto.
  • A meta é que o telescópio opere por no mínimo cinco anos, mas a NASA tem a expectativa que ele alcance 10 anos de operação.
  • Para garantir que ele funcione durante todo esse período, a NASA abasteceu o telescópio com combustível suficiente para ele fazer manobras durante uma década. Além disso, a agência garantiu que todos os subsistemas críticos sejam duplos ou aguentem a degradação ao longo do tempo.
  • A NASA também pretende maximizar as operações do telescópio James Webb para aproveitar ao máximo todo o potencial científico do instrumento conforme envelheça.