O e-ink (ou papel eletrônico) não apenas resistiu à chegada dos tablets (muitos apostaram que o iPad mataria os leitores de e-book), como também continuou a prosperar. Mesmo que algumas empresas tentem usá-lo como uma tela secundária em notebooks, o negócio dessa tecnologia continua sendo o leitor digital. E isso pode ficar muito mais interessante em breve, pois a empresa E Ink apresentou seu papel eletrônico de última geração que pode finalmente trazer um bem-vindo toque de cor a dispositivos como o Amazon Kindle.

Nos últimos anos, na CES, a E Ink exibiu protótipos de seu papel eletrônico colorido, usando-o para replicar obras de arte famosas em molduras enormes. Como a tecnologia e-ink é reflexiva e visível mesmo sem qualquer iluminação de fundo ou lateral, as imagens produzidas pelos protótipos pareciam genuinamente como uma tela de pintura.

A ilusão só era destruída quando as molduras carregaram a próxima imagem, que exigia um processo de redesenho. Às vezes, se não me falha a memória, isso demorava até meio minuto. Ninguém quer esperar tanto tempo para que seu e-reader favorito exiba a próxima página de texto ou imagem.

A fidelidade das cores não chega a competir com o LCD ou o OLED, mas a E Ink oferece suas próprias vantagens. Foto: Andrew Liszewski/Gizmodo

As telas coloridas e-ink funcionam de maneira semelhante às versões em preto e branco atualmente usadas em dispositivos como o Amazon Kindle. Mas, em vez de preencher as minúsculas microcápsulas que funcionam como pixels com apenas pigmentos preto e branco, a versão colorida adiciona uma variedade de pigmentos coloridos que podem ser ativados e combinados em vários passos para criar lentamente uma imagem colorida.

Em suma, a E Ink estima que algo em torno de 40 mil cores pode ser recriado misturando e combinando estrategicamente os pigmentos.

Não é a primeira vez que telas coloridas desse tipo aparecem — já vimos algumas em 2012 e 2016, só para ficar com alguns exemplos. O que a E Ink anunciou na CES 2020 é que a empresa conseguiu melhorar a tecnologia para que uma atualização completa da página possa ser concluída em cerca de dois segundos. Na demonstração que vi, isso parece mais do que rápido o suficiente para que a tecnologia seja finalmente ser adotada em dispositivos como o Kindle.

Foto: Andrew Liszewski/Gizmodo

Os resultados não são tão saturados ou vívidos quanto as imagens reproduzidas em um monitor LCD ou OLED, mas display com e-ink tem suas próprias vantagens sobre essas tecnologias. É mais durável, flexível, fácil de ver, mesmo sob luz solar intensa, e usa muito pouca energia, a ponto de que quando uma imagem colorida é criada, ela permanece na tela indefinidamente, sem a necessidade de energia externa.

Todos os motivos pelos quais os consumidores ainda recorrem a dispositivos como o Kindle para leitura de e-books ainda se aplicam ao e-ink colorido. A única desvantagem para empresas como a Amazon que adotarem o papel eletrônico colorido é que ele adicionará algum custo adicional aos dispositivos, pois os eletrônicos necessários para gerar imagens coloridas são um pouco mais complexos. Mas a E Ink está trabalhando em maneiras de garantir que o aumento de custo não seja um impedimento para os consumidores.

A empresa também desenvolveu variantes do novo papel eletrônico colorido com versões capazes de produzir cores mais vibrantes, mas com uma paleta menor em geral. A empresa E Ink prevê essas telas para uso em lojas e shopping centers onde a sinalização é, em primeiro lugar, projetada para chamar a atenção do consumidor, e a precisão não é tão necessária.

Embora a sinalização colorida do e-ink esteja agora disponível para os desenvolvedores que desejam integrá-la aos produtos de sinalização digital, não há previsão para quando elas começarão a aparecer nos dispositivos dos consumidores.

Se você esperou tanto tempo por um Kindle colorido que finalmente exibisse suas histórias em quadrinhos com cores, vai ter que esperar mais um pouco.