O Gabinete de Gestão de Orçamento da Casa Branca (OMB, na sigla em inglês) solicitou que o Congresso adie em dois anos a proibição de contratados de órgãos federais usarem equipamentos da Huawei. O pedido foi feito formalmente em uma carta assinada por Russell T. Vought, diretor em exercício do Escritório de Administração e Orçamento, de acordo com o Wall Street Journal, e foi enviado ao vice-presidente dos EUA, Mike Pence, além de outros nove membros diferentes do congresso.

Vale lembrar que a proibição do uso de dispositivos da Huawei, no entanto, já foi assinada pelo presidente Donald Trump. O banimento, que parte da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA, na sigla em inglês), exige que contratados do governo federal não usem equipamentos da Huawei por acharem que a tecnologia da empresa é usada para espionar norte-americanos em nome do governo chinês.

“Trata-se de garantir que empresas que fazem negócios com o governo dos EUA recebam verbas e empréstimos federais tenham tempo de se livrar de negócios com a Huawei e outras empresas chinesas listadas no NDAA”, disse Jacob Wood, porta-voz do Gabinete de Gestão de Orçamento da Casa Branca, ao Wall Street Journal, em um comunicado.

Todas as agências do governo federal serão proibidas de usar equipamentos da Huawei ainda neste ano, mas a medida para contratados federais e organizações que buscam subsídios governamentais não teria efeito nos próximos dois anos. A extensão solicitada pela Casa Branca para contratados federais atrasaria a proibição para daqui a quatro anos.

A carta do OMB cita o impacto negativo em áreas rurais dos EUA, onde são usados muitos equipamentos da Huawei por causa do baixo custo. A carta do OMB explica ainda que “várias agências ouviram preocupações significativas de uma ampla gama de partes interessadas e que potencialmente seriam afetadas”.

A Huawei tem estado no centro de uma briga maior entre Estados Unidos e China, que envovle desde déficit comercial até questões de privacidade. O presidente Trump fez da China uma questão central de campanha nas eleições de 2016 e, em grande parte, fala sobre esta questão com seus seguidores, apesar do impacto negativos que às vezes suas ações têm.

Os agricultores, por exemplo, estão arcando com o peso de tarifas retaliatórias impostas aos produtos agrícolas pela China. Mas o presidente Trump prometeu ajuda aos fazendeiros em uma tentativa de mantê-los felizes. O presidente prometeu US$ 15 bilhões em ajuda ao agricultores. No entanto, não prometeu ajudar as empresas americanas que precisarão comprar novos equipamentos para continuar tendo contratos com órgãos federais.

Ainda não está claro se o Congresso vai aderir a esta extensão, nem se o Congresso fará algo entre agora e as eleições presidenciais de 2020. Para piorar a situação, o Congresso dos EUA precisa aprovar um orçamento até setembro para evitar uma nova paralisação como a que foi causada no fim de 2018.

Vamos apenas dizer que não esperamos que as coisas sejam diferentes desta vez.