Ciência

Esquizofrenia pode ser diagnosticada com exame oftalmológico, diz estudo

Estudo brasileiro notou que pessoas com esquizofrenia apresentam redução no volume e na espessura da mácula, região ligada à formação de imagens
Imagem: Bacila Vlad/Unsplash/Reprodução

Cientistas querem facilitar o diagnóstico de esquizofrenia analisando os pacientes a partir de exames oftalmológicos. É o que propõe um artigo recém-publicado na revista científica European Archives of Psychiatry and Clinical Neuroscience.

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A associação entre manifestações da retina e alterações cerebrais, já documentada pela ciência, baseia essa nova forma de diagnóstico para esquizofrenia. O distúrbio da mente que afeta cerca de 1,7 milhão de brasileiros, segundo projeção do Ministério da Saúde.,

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Os cientistas explicam que a retina é uma estrutura sensível à luz que está localizada na parte posterior do olho.

Os cientistas identificaram, nas pessoas com esquizofrenia, redução no volume e na espessura da mácula – região ocular onde se inicia a formação das imagens.

Além disso, também foi identificada uma maior presença de sintomas, como delírios e alucinações, nos pacientes que possuem espessura maior da camada de fibras nervosas das retinas (região papila óptica).

Segundo Raffael Massuda, professor do Departamento de Psiquiatria e Medicina Forense da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e um dos autores do artigo, a esquizofrenia leva a uma diminuição difusa dos tamanhos dos neurônios, — ou seja, no número de sinapses que esses neurônios fazem.

“É uma doença que acomete o cérebro em vários locais e em várias estruturas cerebrais. Uma das coisas que ela faz, na prática, é diminuir o tamanho do cérebro, porque há essa redução nas sinapses, as conexões entre os neurônios”, disse o pesquisador, em um comunicado.

Evolução da esquizofrenia aparece na retina

O médico psiquiatra e professor da residência no Hospital de Clínicas da UFPR, Marcelo Alves Carriello, responsável pelo estudo, explica que o diagnóstico de esquizofrenia ainda é clínico.

Apesar disso, as que a avaliação da retina poderia ser muito útil para o acompanhamento da evolução dos casos. “Isso porque entendemos que há um declínio cognitivo progressivo na esquizofrenia e talvez, no futuro, esse procedimento possa ajudar no tratamento”, disse.

Além da retina, Carriello cita que é comum que quadros de infecção no sistema nervoso central. Por isso, o próprio processo de desenvolvimento da doença poderia estar relacionado a um processo inflamatório exagerado.

“Existe uma teoria de que um aumento de inflamação sistêmica poderia levar à quebra da barreira hemato encefálica, isto é, a barreira da proteção do cérebro. Essa inflamação aumentada teria o potencial de mudar as sinapses cerebrais, levando à abertura de um quadro de esquizofrenia”, completou o especialista.

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Gabriel Andrade

Gabriel Andrade

Jornalista que cobre ciência, economia e tudo mais. Já passou por veículos como Poder360, Carta Capital e Yahoo.

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