Durante uma recente tempestade, uma mulher da Flórida estava relaxando em casa quando um estrondo ensurdecedor ecoou por sua casa. Poucos poderiam ter adivinhado a fonte do ruído. De acordo com a WBBH, um raio caiu perto de sua fossa séptica, inflamando o gás metano e explodindo o vaso sanitário.

“Foi o barulho mais alto que já ouvi”, disse Mary Lou Ward à emissora de notícias. “Nós saímos da cama e fomos até lá e a privada estava destruída no chão”.

Embora explosões de privadas possam parecer algo de desenho animado, a privada de Mary Lou não é a primeira a explodir inesperadamente. De fato, tais incidentes acontecem com bastante frequência – e as consequências podem ser sérias.

Qualquer discussão bem informada sobre a explosão de privadas deve começar com Flushmate, uma linha de sistemas de descarga assistida por pressão fabricados pela Sloan. Instalados em privadas, estes dispositivos destinam-se a reduzir o uso de água sem afetar a potência da descarga, e têm sido uma escolha popular para tornar os banheiros mais eficientes. Diversos deles também explodiram.

O resultado de uma explosão de Flushmate. Foto: CPSC

Em resposta a mais de 1.700 relatos de explosões de unidades Flushmate II e III, a Sloan recolheu milhões desses dispositivos nos últimos anos. A pressão envolvida é forte o suficiente para quebrar as privadas, transformando-as em pedaços de porcelana. De acordo com os folhetos informativos, 38 lesões relacionadas ao Flushmate foram relatadas, uma das quais exigiu até cirurgia.

“O consumidor diz que sua noiva estava sentada no vaso sanitário quando explodiu”, diz um relato de uma dessas explosões. “Ele disse que a tampa bateu nas costas dela. Ela foi ao [médico], que disse que havia hematomas na parte inferior das suas costas e sugeriu que ela tirasse alguns dias de repouso”.

“O consumidor diz que não sobrou nada da sua privada”, conclui o relatório.

Mas manter sua casa livre de sistemas de descarga não é suficiente para garantir proteção contra explosões de vasos sanitários. Em várias ocasiões, o trabalho de manutenção nos sistemas de água e esgoto fez com que privadas aparentemente seguras explodissem.

Em 2011, por exemplo, dois funcionários federais ficaram feridos (um deles gravemente) depois que privadas do prédio da Administração de Serviços Gerais explodiram devido à “alta pressão do ar” no sistema de água. E em 2013, um homem do Brooklyn disse que foi atingido por estilhaços da privada ao dar descarga enquanto um serviço de encanamento programado era realizado em seu prédio. Seu advogado alegou que outros três vasos sanitários no prédio também explodiram.

Mesmo quando esses incidentes não quebram a cerâmica, os resultados podem ser perturbadores. Em Palo Alto, Califórnia, alguns trabalhadores da cidade estavam limpando uma tubulação de esgoto em 2007 quando teriam enviado um jato de água de esgoto que subiu pela privada de um homem “a mais de 1 metro de altura”. Um caso similar em Baltimore pode ser o exemplo mais repugnante de todos. Uma mulher alegou que uma obra de esgoto de alta pressão enviou um gêiser imundo de sua privada enquanto ela estava sentada, derrubando-a do assento e deixando-a encharcada de dejetos humano.

“Eu estava literalmente coberta de fezes”, disse ela à WBFF em 2014. “Você está de brincadeira, quem quer uma coisa dessas?”

Uma empresa japonesa ofereceu reparos gratuitos em bidês elétricos que estavam pegando fogo em 2007, e uma aparente explosão de esgoto destruiu outro vaso sanitário na Holanda em 1996, mas há mais um tipo de privada explosiva que antecede todos esses incidentes – e que continua sendo uma lenda popular.

Desde pelo menos a década de 1940 (e provavelmente décadas antes disso) as pessoas contam a história de uma esposa que coloca uma substância inflamável em uma privada, apenas para o marido se sentar e acidentalmente inflamá-la ao fumar. Nas primeiras versões existentes do conto, a privada fica em um banheiro externo e o homem deixa cair um fósforo após acender seu cachimbo. Em relatos mais recentes, spray de aerossol e um cigarro estão envolvidos.

Embora algumas vezes seja relatado como um evento real, nenhuma versão desse conto foi verificada – embora, em um artigo de 1986 no The Journal of Emergency Medicine, um coronel chamado Robert D. Slay afirme ter tentado recriá-lo.

“Em experimentos inéditos realizados em meu próprio banheiro, não consegui produzir uma explosão de qualquer força significativa”, escreve Slay, presumivelmente brincando, “embora eu tenha conseguido queimar superficialmente uma grande melancia”.