Agitando a especulação sobre os óculos inteligentes da empresa, o Facebook concordou nesta segunda-feira (23) em adquirir a startup CTRL-Labs. Ela está desenvolvendo uma pulseira capaz de ler os pensamentos de um usuário e usá-los para controlar computadores e outros dispositivos.

O chefe de realidade aumentada e realidade virtual do Facebook, Andrew Bosworth, anunciou oficialmente a aquisição no Facebook ontem. Ele revelou que a startup se juntará à equipe do Facebook Reality Labs na esperança de acelerar seu desenvolvimento e disponibilidade para os consumidores.

Fontes familiarizadas com o assunto disseram à CNBC que o acordo valia entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, apesar de um porta-voz do Facebook afirmar que na verdade era menos de um bilhão.

Então, o que o Facebook planeja fazer com a tecnologia da CTRL-Labs? Um dos últimos obstáculos para tornar os dispositivos inteligentes menores, mais fáceis de usar e genuinamente práticos é garantir que as pessoas consigam interagir com eles e operá-los.

Tocar o dedo na tela de um smartphone para comandar um teclado virtual funciona muito bem. Mas, assim como outras empresas, o Facebook espera que óculos inteligentes, eventualmente, se tornarem um substituto para telefones e tablets. Como você pode imaginar, não dá para tocar em uma lente com os dedos.

Os assistentes de voz percorreram um longo caminho e, sem dúvida, se tornarão uma maneira importante de interagir com dispositivos portáteis, como óculos inteligentes.

Só que as pessoas nem sempre ficarão à vontade para conversar com uma tecnologia quando estão em público. Imagine ter que lembrar seus óculos inteligentes de adicionar “desentupidor” à sua lista de compras quando você está no escritório, entre seus colegas de trabalho.

Existem alternativas aos comandos de voz, como tecnologias como rastreamento ocular. No entanto, a solução ideal seria realizar tarefas através do pensamento.

É exatamente nisso que a CTRL-Labs está trabalhando, o que ajuda a explicar por que o Facebook deseja desembolsar quase um bilhão de dólares para ajudar a tornar isso realidade.

O dispositivo, que pode eventualmente ser integrado a algo tão sutil quanto um smartwatch, detecta os sinais elétricos enviados pelo cérebro através da medula espinhal até chegar a mãos e dedos, que comandam mouses, telas e teclados.

Esses sinais são interceptados, decodificados e depois traduzidos para comandos que um dispositivo pode entender. Portanto, tudo o que você precisa fazer é pensar em digitar para enviar uma mensagem.

Se o Facebook conseguir dominar completamente a tecnologia, seria um grande ponto de venda para seus óculos inteligentes. Mas outras empresas, como a Thalmic Labs, criadora do “armband” MYO, acabaram abandonando a busca por tecnologia semelhante. A MYO vendeu suas patentes para o CTRL-Labs no início deste ano, antes de mudar o nome para North e desenvolver seus óculos inteligentes de realidade aumentada Focals.

No entanto, isso não significa necessariamente que uma pulseira de leitura da mente não seja uma tecnologia viável. Se alguma empresa tem dinheiro suficiente para investir em pesquisa e desenvolvimento e, eventualmente, fazer isso acontecer, é o Facebook.