Em uma carta aberta, 44 procuradores-gerais dos EUA pediram que Mark Zuckerberg interrompa a versão planejada da empresa do Instagram para crianças. O Buzzfeed News descobriu em março que o Facebook — uma empresa com um histórico de divulgar desinformação nociva em grande escala — está desenvolvendo uma plataforma para crianças menores de 13 anos, a idade mínima para criar uma conta na rede social.

Os procuradores estão preocupados com Zuckerberg avançando para os inocentes cérebros das crianças com suas ferramentas viciantes.

O diretor do Instagram, Adam Mosseri, explicou ao Buzzfeed que as crianças estão quebrando as regras e entrando no Instagram de qualquer maneira, então “parte da solução é criar uma versão do Instagram para jovens ou crianças onde os pais têm transparência ou controle”. A essência do Instagram de “se não dá pra controlar, então que se dane” também aparece na declaração que um porta-voz do Facebook deu ao Gizmodo:

“Como todos os pais sabem, as crianças já estão online”, disseram eles, alegando que estão coletando informações de “especialistas em desenvolvimento infantil, segurança infantil e saúde mental, e defensores da privacidade”. E continua: “Também esperamos trabalhar com legisladores e reguladores, incluindo procuradores-gerais do país”.

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Os procuradores-gerais, no entanto, não estão nada empolgados para trabalhar com o Facebook e prefeririam que ele não liberasse o produto, já que seria melhor simplesmente não ter as crianças na plataforma. Eles citam um relatório que, em 2018, descobriu que a polícia do Reino Unido documentou mais casos de aliciamento sexual no Instagram do que em qualquer outra plataforma. Eles também apontam para o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas, que afirmou que, em 2020 receberam mais de 20 milhões de denúncias de material de abuso sexual infantil em todas as plataformas do Facebook.

A entidade relata que os dados vêm quase inteiramente dos próprios provedores de serviços. Como o TikTok diz que só teve 22,7 mil denúncias, talvez o Facebook pelo menos tenha sido mais transparente.

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Na carta, os procuradores-gerais também apontam para uma descoberta recente de que o Instagram sugeriu de forma automática termos de pesquisa para perda de peso como “inibidores de apetite” para usuários com base em seus interesses.

Uma pesquisa de 2017 feita por uma ONG anti-bullying chamada Ditch the Label, revelou que 42% dos jovens usuários do Instagram foram vítimas de cyberbullying na plataforma, uma porcentagem mais alta do que em qualquer outro serviço de mídia social.

Além disso, usuários foram capazes de contornar um controle de segurança no Messenger Kids, que deveria limitar os contatos a amigos aprovados pelos pais. A pesquisa observa que o uso da mídia social leva a um aumento nas taxas de depressão, pensamentos suicidas e dismorfia corporal.

Ainda não há um nome para o produto infantil do Instagram, e um porta-voz do Facebook disse ao Gizmodo que ele está nos estágios iniciais de desenvolvimento. O porta-voz acrescentou que a empresa se comprometeu a não mostrar nenhum anúncio a menores de 13 anos.