Conforme revelado pelo Washington Post nesta terça-feira (21), o Facebook tem ranqueado seus usuários com base em sua confiabilidade na identificação de informações falsas — embora, em uma declaração ao Gizmodo, a empresa se distancie de insinuações de que o ranking de confiança seja amplamente aplicável a todas as facetas da rede.

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“A ideia de que temos uma pontuação de ‘reputação’ centralizada para as pessoas que usam o Facebook é simplesmente errado, e a manchete no Washington Post é enganosa. O que estamos fazendo na verdade: desenvolvemos um processo para proteger a rede de pessoas que marcam indiscriminadamente notícias como falsas e tentam enganar o sistema”, escreveu um porta-voz do Facebook por e-mail. “A razão pela qual fazemos isso é para garantir que nossa luta contra a desinformação seja a mais eficaz possível.”

O Facebook alega que o ranking de confiança — que é uma pontuação decimal entre 0 e 1 — só é aplicável a usuários que optaram por marcar um post como “notícia falsa”. Uma vez sinalizado, o Facebook gera uma pontuação para o usuário que está denunciando algo como potencialmente falso, que, como reforçou a empresa, é apenas um dos vários sinais que a plataforma utiliza. Em aplicações no mundo real, um grande número de usuários “confiáveis” sinalizando um post pode colocar essa publicação mais para cima na lista de artigos a serem revisados pelos verificadores de fatos, porém, segundo um porta-voz, é basicamente só isso.

O exemplo fornecido ao Washington Post pela gerente de produtos do Facebook, Tessa Lyons, deixa clara a aplicação desse ranking:

“Se alguém anteriormente nos deu um feedback de que um artigo era falso e o artigo foi confirmado como falso por um verificador de fatos, então podemos pesar mais o feedback de notícia falsa dessa pessoa no futuro do que o de alguém que indiscriminadamente fornece feedbacks de notícias falsas em vários artigos, incluindo aqueles que acabam sendo avaliados como verdadeiros.”

Realisticamente, o feedback dos usuários pode muitas vezes ser de baixo valor — o exemplo que o Facebook dá é de um conteúdo sendo marcado como “falso” porque o leitor simplesmente discorda dele — e esse é um jeito relativamente fácil de eliminar pessoas que mandam spam na função de denúncia.

Por mais que a reputação do Facebook tenha caído neste ano, o ranking de confiança não parece ser uma ferramenta nefasta como seu nome sugere.

[WaPo]

Imagem do topo: AP