O supercomputador Fugaku, do instituto japonês Riken, bateu recordes de velocidade de computação no ranking bi-anual mantido pela Top500. A máquina realiza 2,8 vezes mais cálculos por segundo do que o recordista anterior, um sistema da IBM no Laboratório Nacional Oak Ridge.

O supercomputador em Oak Ridge, chamado Summit, agora ocupa o segundo lugar. Outro sistema da IBM, este no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, assim como dois supercomputadores chineses, também perderam lugares no ranking graças a Fugaku.

Segundo o New York Times, a conta total do plano de seis anos do Instituto Riken para Fugaku foi de cerca de US$ 1 bilhão. Ele é baseado na arquitetura ARM, mais comumente utilizada em smartphones e outros dispositivos móveis – e que agora vai chegar aos computadores da Apple.

Essa é a primeira vez que um sistema derivado da arquitetura ARM atingiu o primeiro lugar, marcando uma diferenciação importante para os supercomputadores anteriores que se basearam principalmente em chips derivados de projetos Intel ou AMD.

Segundo a Anandtech, o Fugaku tem 7,3 milhões de núcleos, consome 28 megawatts de energia e foi capaz de executar a 415 petaflops, a unidade de medida para um quadrilhão de operações de ponto flutuante por segundo. Fugaku, porém, tem um desempenho máximo teórico máximo de quase 514 petaflops.

O supercomputador domina a velocidade bruta de computação, mas também levou os três primeiros lugares em testes destinados a classificar suas aplicações de capacidade para tarefas industriais, inteligência artificial e análise de big data, de acordo com a Kyodo News.

Esse é outro recorde, já que nenhum sistema anterior ocupou os quatro lugares ao mesmo tempo. Espera-se que o computador comece a operar até abril de 2021, embora já esteja auxiliando algumas pesquisas médicas sobre a pandemia do novo coronavírus, conforme aponta a reportagem da Kyodo News.

Fugaku “é o resultado de quase 10 anos de investimento e trabalho”, disse ao NYT o vice-presidente sênior da ARM, Christopher Bergey. “É um momento muito animador.”

Fugaku pode não dominar o ranking por muito tempo, no entanto. O Departamento de Energia dos EUA está construindo outro supercomputador chamado Frontier, em parceria com a Cray Inc.. A agência diz que ele será capaz de processar 1,5 exaflops.

Considerando os dados de maio de 2019, isso o tornaria tão poderoso quanto os próximos 160 supercomputadores combinados – um número que pode estar defasado, já que a Top500 diz que Fugaku foi responsável pela maior parte de um aumento de cerca de 35% na capacidade global de supercomputação nos últimos seis meses por si só.

Frontier está programado para entrar em operação em 2021. O Departamento de Energia também está construindo outro supercomputador, chamado Aurora, em parceria com a Intel. A ideia é que essa máquina supere o Frontier e seja a primeira unidade de “exaescala”, ou seja, que opere no nível de exaflops.

A China tem três projetos próprios de exaescala. Jack Dongarra, professor de engenharia elétrica e informática da Universidade do Tennessee, disse ao IEEE Spectrum que não espera que os projetos de exaescala americanos ou chineses comecem a funcionar de fato em 2021, mas que os rivais chineses poderiam acirrar essa corrida.

“A China é muito agressiva em computação de alto desempenho”, disse Dongarra à revista. “Em 2001, a lista Top 500 não tinha máquinas chinesas. Hoje eles são dominantes”.