A provação de 18 dias a que foi submetida o time juvenil de futebol Wild Boars (javalis selvagens), preso numa caverna inundada no norte da Tailândia finalmente chegou ao fim, com os últimos quatro garotos e o treinador sendo resgatados nesta terça-feira (10). Os outros oito meninos haviam sido tirados de lá nos últimos dias.

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Quatro garotos foram resgatados da caverna no domingo (8), outros quatro, na segunda (9), e agora os quatro restantes e seu treinador foram salvos nesta terça-feira (10), segundo a BBC. A operação de resgate não está completamente acabada, já que o médico que os atendia e três membros da marinha tailandesa ainda precisam sair do complexo de cavernas. Esse pesadelo, que começou em 23 de junho, quando os garotos se aventuraram na caverna de Tham Luang Nang Non, está tendo seu desfecho, e ele é bem positivo.

Na sexta-feira (6), entretanto, Saman Gunan, ex-marinheiro e mergulhador especialista, morreu enquanto levava tanques de oxigênio para a caverna. Sem dúvidas, o número de mortes poderia ter sido maior, considerando as condições perigosas ao longo do percurso até onde estava a equipe.

Todos os 12 garotos e seu treinador, de 25 anos de idade, agora estão compartilhando uma sala de hospital próxima a Chiang Rai. Os membros do time Wild Boars estão emocional e fisicamente saudáveis e “animados”, segundo a CNN. Dito isso, dois garotos que deixaram a caverna com temperaturas corporais consideravelmente baixas estão sob suspeita de terem contraído infecção pulmonar, possivelmente pneumonia.

Os meninos estão sendo mantidos em quarentena, tanto para preveni-los de contrair uma doença em seu estado enfraquecido quanto para evitar que eles espalhem alguma doença que possam ter contraído enquanto estavam na caverna. Durante as semanas que passaram lá, eles podem ter sido expostos a uma doença bacteriana conhecida como leptospirose, que é transmitida por roedores, através da água, ou histoplasmose, pela inalação de esporos de fungos encontrados em excrementos de pássaros e morcegos. As preocupações de que eles estejam contagiosos, no entanto, são provavelmente um exagero, já que nenhuma dessas doenças é conhecida por se espalhar no contato entre humanos.

Jedsada Chokdumrongsuk (centro), secretário do ministério de Saúde Pública, fala durante entrevista coletiva em um hospital na província de Chiang Rai. Imagem: AP

A quarentena terminará em cerca de sete dias, mas, até lá, os membros da família podem interagir com os meninos por meio de uma janela de vidro e falar com eles ao telefone. Dizem que os meninos estão otimistas, mas a euforia inicial de ser resgatado pode ser passageira. Os efeitos psicológicos a longo prazo desta provação nos garotos e no treinador não serão conhecidos por algum tempo, com o distúrbio de estresse pós-traumático sendo uma possibilidade distinta. Os membros da equipe de futebol juvenil estiveram desaparecidos por nove dias antes de serem descobertos por mergulhadores especialistas em 2 de julho.

O resgate desta terça-feira envolveu 19 mergulhadores e levou nove horas para ser concluído. Devido ao bom tempo, os níveis de água diminuíram ao ponto em que grande parte da caverna pôde ser percorrida a pé e pela água. Ainda assim, foram os canais submersos que apresentaram as maiores dificuldades.

Para o resgate, cada um dos meninos, a maioria dos quais não sabia nadar, estava equipado com trajes e uma máscara facial de rosto inteiro. Dois mergulhadores foram designados para cada menino, um nadando na frente e outro monitorando a retaguarda. Uma corda estática guiava o caminho até a boca da caverna.

“Esta é a missão mais difícil que já fizemos. Quanto mais baixa a água fica, mais forte fica a corrente. Ela está mais forte agora. Cada passo da extração é arriscado”, disse o mergulhador de resgate tailandês Narongsuk Keasub à CNN. “Só conseguimos ver nossas mãos a uma curta distância. Em segundo lugar, as pedras são afiadas, o que é perigoso para o nosso mergulho, e, em terceiro lugar, a passagem é muito estreita.”

Uma reportagem da BBC afirma que os garotos receberam medicamentos para prevenir ataques de pânico no percurso de volta à superfície. O remédio, que não teve seu nome revelado, foi descrito como um medicamento contra a ansiedade que é frequentemente usado por soldados, para mantê-los focados, particularmente enquanto tentam tiros de precisão.

Essa operação de busca e resgate não teria sido possível sem as centenas de pessoas e voluntários que foram ajudar. Foi, verdadeiramente, um esforço internacional, envolvendo especialistas de Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, China, Myanmar, Laos, Japão e muitos outros países. Porém, à medida que a operação se aproxima do fim, deixamos nossas condolências a Saman Gunan, que morreu enquanto tentava ajudar a resgatar os garotos e o treinador. Em respeito por seu sacrifício, o ex-mergulhador da marinha tailandesa que será honrado com um funeral de Estado.

[BBC, CNN]

Imagem do topo: AP