Na última semana, a rapper americana Heather Morgan, juntamente com o marido Ilya “Dutch” Lichtenstein, foi presa acusada de tentar lavar mais de US$ 3,6 bilhões (quase R$ 19 bilhões na cotação atual do dólar) em bitcoins roubados.

A quantia teria sido roubada da exchange Bitfinex, em 2016. Na época, hackers conseguiram roubar 119.754 bitcoins, que hoje são avaliados em aproximadamente 4,5 bilhões de dólares.

A dupla foi acusada de conspiração e fraude, podendo pegar uma pena de 25 anos de prisão.

A história chamou tanto a atenção do público que a Netflix já anunciou que pretende fazer uma série documental sobre o caso.

Crime bilionário

Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a polícia já recuperou 3,6 bilhões de dólares, se tornando a maior apreensão financeira de todos os tempos.

Por mais que as criptomoedas não sejam reguladas, isso não significa que o uso de bitcoins esteja acima da lei.

“Em um esforço inútil para manter o anonimato digital, os réus lavaram fundos roubados por meio de um labirinto de transações de criptomoedas. Graças ao trabalho meticuloso da aplicação da lei, o departamento mais uma vez mostrou como pode e seguirá o dinheiro, não importa a forma que ele assuma”, afirmou o órgão dos EUA.

Roteiro de filme

Para lavar os bilhões de dólares, o casal utilizou truques que parecem sair de roteiros de filmes de espionagem.

Eles utilizavam contas na Rússia e na Ucrânia, tinham inúmeras identidades falsas e documentos fraudulentos, além de um plano para fugir para o exterior.

Durante uma invasão policial ao apartamento de Morgan, ela tentou bloquear o celular enquanto fingia que estava procurando o gato. As autoridades federais tiveram que “arrancar” o aparelho da mão dela.

Na casa dela também foram encontrados o equivalente a 40 mil dólares em uma moeda estrangeira e que estava escondidos dentro de dois “livros ocos”.

Golpes em bitcoins

A prisão do casal excêntrico foi vista com surpresa por amigos, pessoas próximas e o público geral.

Em junho de 2020, por exemplo, Morgan chegou a assinar uma coluna na Forbes em que dava dicas de como se proteger de cibercriminosos.

Segundo especialistas, a prisão pode ser um divisor de águas na regulamentação das moedas digitais, permitindo que governos e autoridades possam rastrear transações fraudulentas.

Vale lembrar que o Departamento de Justiça dos EUA também já havia iniciado uma investigação criminal para apurar a manipulação de criptomoedas populares, como ethereum e bitcoins.