O Google anunciou nesta quinta-feira (17) que vai comprar parte da divisão de smartwatches da Fossil. Como parte do negócio, o Google também vai obter uma porção da equipe de pesquisa e desenvolvimento da Fossil Group. Não está claro exatamente o tipo de tecnologia que o Google está buscando, mas a aquisição paradoxalmente faz sentido e é um pouco intrigante.

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Primeiramente, a transação faz sentido, pois a Fossil é um dos parceiros mais longos do Google na área de vestíveis. Embora já tenhamos visto relógios com Wear OS (antigamente conhecido como Android Wear) de outras companhias, como a LG, a Fossil tem a coleção mais estilosa com a plataforma de vestíveis do Google.

“Vestíveis, feitos para o bem-estar, simplicidade, personalização e utilidade, têm a oportunidade de melhorar vidas das pessoas, fornecendo informações para os usuários e insight que eles necessitam num piscar de olhos”, disse Stacey Burr, vice-presidente de gerenciamento de produtos do Wear OS, em um comunicado. “A adição do grupo de tecnologia do Fossil Group e equipe ao Google demonstra nosso compromisso com a indústria do bem-estar permitindo um portfólio diverso de smartwatches e oferecendo apoio às necessidades em constante evolução do consumidor em busca de vitalidade e movimento.”

E é aí que as coisas começam a ficar esquisitas. Os pontos fortes da Fossil geralmente estão em seus relógios analógicos híbridos. Estes relógios são aparelhos que “parecem” antigos, mas que escondem características inteligentes. Eles costumam ter uma ótima duração de bateria, fazer algumas medições como de passos e mostrar notificações. Só recentemente que a Fossil entrou, de fato, na onda do Wear OS com o Fossil Sport, e só neste mês que recursos como medidor de batimento cardíaco, NFC e GPS foram adicionados nos smartwatches Kate Spade e Michael Kors Acess Sofie.

No entanto, quando se fala de rumores de um Pixel Watch, isso não oferece muita confiança. A plataforma de smartwatch do Google já teve altos e baixos e, à esta altura, alguns redesigns e reformulações de marca. A categoria também ficou para trás por causa do chip Qualcomm 2100, que consumia bateria pra caramba, e, até o momento, a versão mais recente, o Qualcomm 3100, não foi usado em muitos aparelhos disponíveis no mercado. (No momento, apenas o Montblanc Summit 2 e o Fossil Sport). Relógios Fossil são sem dúvida o melhor hardware Wear OS disponível, mas eles não competem no mesmo nível que o Galaxy Watch, da Samsung, com Tizen ou o Apple Watch.

Então, teremos um Pixel analógico híbrido? Não, obrigado. Isso parece uma perda total de esforços do Google em renovar o Wear OS e uma decepção para quem espera um smartwatch touchscreen. O que me deixa em dúvida sobre os comentários de Burr é esta história de “bem-estar”. Nesta área de tecnologia voltada para saúde, a Fossil tem que correr para tentar alcançar o Apple Watch, a Fitbit e a Samsung.

De qualquer forma, já está na hora de ter uma boa alternativa Android ao Apple Watch, e espero que esta aquisição seja um sinal de que o Google está pronto para parar de atrasar seus esforços.

[The Verge]