Depois de milhares de mulheres protestarem no último fim de semana, o governo da Coreia do Sul anunciou um novo plano para combater câmeras escondidas que vinham sendo usadas para gravar pessoas sem seu consentimento.

Inspecionar uma cabine de banheiro público antes de usá-lo se tornou uma prática comum entre mulheres sul-coreanas. Elas temem ter seus momentos íntimos secretamente filmados e compartilhados na internet. O governo respondeu a este medo com uma medida. Ela exige que centros de transporte público tenham equipes dedicadas a procurar e remover equipamentos do tipo.

As autoridades sul-coreanas anunciaram a medida no domingo (5), um dia depois de cerca de 70 mil pessoas protestarem contra a epidemia de pornografia feita com câmeras escondidas. Segundo fontes locais, este foi o maior protesto feminino já feito na Coreia do Sul. De acordo com a nova deliberação, centros de transporte — como aeroportos, terminais de ônibus e estações de trem — devem criar equipes para inspecionar suas áreas em busca de câmeras escondidas, e isso inclui banheiros públicos. As informações são do jornal Korea Herald.

Banheiros que passarem por inspeções rotineiras “por um intervalo de tempo significativo” serão identificados como uma “área limpa”. Não aderir a essa medida pode gerar multas para os estabelecimentos.

O país também planeja colocar pôsteres em cerca de mil organizações de direitos das mulheres e crianças, além de 254 delegacias de polícia, para divulgar o que dizem as leis a esse respeito. Os cartazes afirmarão que é ilegal tanto filmar alguém sem seu consentimento como assistir ao vídeo distribuído online.

Um estudo da Associação de Advogadas Coreanas, citado pelo Korea Exposé, descobriu que as câmeras espiãs são mais frequentes em estações de metrô, mas também são encontradas em ônibus, táxis e banheiros. O jornalista Raphael Rashid, que mora em Seul, tuitou em junho que as mulheres no país estavam começando a usar máscaras para esconder suas faces em banheiros públicos. As câmeras podem estar dentro do vaso sanitário ou até mesmo no parafuso da dobradiça da porta.

Uma matéria da BBC sobre o crescimento da pornografia de câmeras escondidas, conhecida no país como “molka”, aponta que 6.465 casos do tipo foram relatados no país durante o ano passado. Desses, 5.437 pessoas foram detidas e apenas 119 acabaram na prisão.

Os grandes protestos na Coreia do Sul — cerca de 22 mil mulheres também marcharam em junho — mostram como as mulheres estão se sentindo ultrajadas não só pela epidemia, mas também pelas falhas do poder público para prevenir casos do tipo e punir os responsáveis.

O anúncio de domingo marca um pequeno passo. Resta saber qual será o rigor dessa nova medida na prática.

[The Korea Herald]

Imagem: Getty