Não é nada fácil ser um millennial. Mas um novo estudo publicado nesta sexta-feira (13) na JAMA Open sugere que é especialmente difícil para as grávidas dessa geração. A pesquisa descobriu que as mulheres grávidas, hoje em dia, estão mais propensas a se sentirem deprimidas do que suas mães eram durante suas gravidezes, na geração passada.

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Pesquisadores observaram dados de um estudo populacional em andamento no Reino Unido iniciado no início dos anos 1990. O estudo acompanhou a saúde de mulheres recém-grávidas e, mais tarde, seus filhos. Como algumas dessas crianças chegaram aos seus 20 e tantos anos na década de 2010, elas engravidaram ou, no caso dos meninos, tiveram filhos com outras mulheres. Isso permitiu que os autores desse estudo atual tivessem uma oportunidade de comparar diretamente os dois grupos de mães ao longo do tempo.

Eles descobriram que 17% das 2.390 mulheres inicialmente recrutadas tiveram altos níveis de sintomas depressivos, baseados em uma escala normalmente usada para avaliar depressão antes e depois do parto. De 2012 a 2016, 180 mulheres na segunda geração tiveram filhos. E, dessas mulheres, 25% relataram altos níveis de sintomas depressivos. A diferença entre os grupos se manteve mesmo depois de levar em conta outros fatores conhecidos para a depressão, como índice de massa corporal, nível de educação ou histórico de tabagismo. Comparando apenas pares diretos entre mãe e filha, a conta não mudou.

“Usando uma fonte de dados única, apresentamos evidências de que a depressão em mulheres jovens grávidas é mais alta hoje do que nos anos 1990”, escrevem os autores.

Este está longe de ser o primeiro estudo a sugerir que os jovens de hoje em dia são mais deprimidas do que eram nas gerações passadas. Mas é difícil isolar se esse aumento reflete um crescimento genuíno na depressão. Pesquisas feitas uma geração atrás podem avaliar a depressão de uma maneira diferente do que as de hoje. Ou talvez apenas certos grupos de pessoas estejam se tornando mais deprimidos, mas não outros, e pesquisas com a população em geral podem não conseguir capturar essa tendência (algumas pesquisas citadas pelos autores mostram que esse aumento é particularmente acentuado entre mulheres jovens).

Contar com o mesmo conjunto de dados, envolvendo mulheres que foram perguntadas sobre depressão da mesma maneira e no mesmo momento de sua gravidez, pode permitir uma comparação mais clara, dizem os autores.

No entanto, ainda existem algumas ressalvas importantes em sua pesquisa, uma delas sendo o número muito menor de mães no segundo grupo. Pelo fato de mulheres hoje em dia estarem tendo filhos geralmente mais tarde, existe também a possibilidade dessas mães relativamente mais jovens serem mais vulneráveis à depressão do que a mulher média. E o estudo ainda não consegue determinar se as mulheres atualmente são mais deprimidas do que no passado ou se elas simplesmente estão mais abertas a admitir que estão deprimidas, graças ao menor estigma em torno de problemas de saúde mental.

Porém, se as mudanças forem algo real, pode existir uma série de razões por trás do crescimento.

“Estresse crônico, privação de sono, hábitos alimentares, estilo de vida sedentário e o ritmo rápido da vida moderna podem estar contribuindo para uma prevalência crescente da depressão entre pessoas jovens em geral”, escreveram os autores. A falta de leis de licença parental, horários de trabalho inflexíveis e uma economia geralmente pior podem afetar duplamente mulheres grávidas também. E os pesquisadores descobriram até algumas evidências de que as mulheres que estavam deprimidas nos anos 1990 durante a gravidez podem aumentar o risco de suas filhas desenvolverem depressão elas próprias durante sua gravidez.

Com base em suas descobertas, os autores apoiam uma maior triagem de depressão para mulheres grávidas jovens assim como maiores recursos de saúde mental. Essas intervenções, eles escreveram, podem “minimizar o impacto potencialmente amplo da depressão nas mães, seus filhos e nas gerações futuras”.

[JAMA Open]