Esqueça o Galaxy X. Esqueça também a enorme bagunça que a Asus fez com o Nexus 7. Para o Google, a história do Nexus no Brasil começa hoje — 3 anos depois do anúncio do primeiro aparelho da família nos EUA. Começa com o Nexus 4, o quarto herdeiro da família nos celulares. E quem diz isso é Hugo Barra, vice-presidente global do Android. E ele falou uma série de coisas interessantes sobre o aparelho, o Brasil e o que podemos (ou não) esperar por aqui. Confira:

O Brasil para o Android

Barra revelou mais um daqueles números gigantescos do Android: já são 750 milhões de aparelhos, e uma média de 1,5 milhão deles são ativados diariamente — façam as contas, a comemoração pelo 1 bilhão acontece já já. Mas ele também deu detalhes sobre como o Brasil se posiciona hoje nessa multidão. Fomos, em 2012, o quinto país que mais comprou e ativou Androids no planeta. Sem dar muitos detalhes sobre os primeiros colocados, Barra disse que o número é importante para colocar o Brasil ainda mais no mapa, e que ficamos à frente de outras “potências emergentes”, como a Índia.

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Google Play

Em busca de um lugar mais confortável na disputa pelas lojas digitais no Brasil, o Google anda investindo bastante em livros e filmes: segundo Barra, a Play é hoje a loja com maior catálogo de ebooks no Brasil, com 90% das obras que figuram nas listas de mais vendidos do país. Na parte de filmes, assim como o Netflix fez com o filme “Jogo Vorazes”, o Google aposta em lançamentos exclusivos e pontuais. Foi o caso do filme “As Aventuras de Pi”, que chegou duas semanas antes no Google Play em comparação à concorrência.

Apesar da boa combinação (conteúdo + exclusividade), Barra não quis entrar em detalhes sobre a negociação com gravadoras para a venda de músicas na loja brasileira (ele não estaria nem envolvido nas negociações, segundo ele), e avisou que, por enquanto, não há previsão alguma para a venda de hardware pela Google Play no Brasil. Segundo ele, o varejo brasileiro é “maravilhoso” e é o caminho ideal para o Google, pelo menos por enquanto.

Street View no Brasil

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Comentário rápido, mas bacana: as “câmeras humanas” do Google começarão a andar pelo Brasil em breve. Ninguém comentou em quais lugares, mas com várias chapadas e florestas incríveis, dá para esperar uma série de imagens empolgantes.

O caos do Nexus 7

Questionado sobre o que diabos aconteceu com o Nexus 7 no Brasil (lembrando: foi anunciado pomposamente pela Asus, apareceu em lojas online por R$1.299 e depois simplesmente desapareceu de todos os lugares), Barra foi bem sincero: “não conseguimos chegar num modelo econômico que fizesse sentido no Brasil. [O aparelho] simplesmente chegaria muito caro para sua configuração e pelos concorrentes no Brasil”. Então por que ele foi anunciado? “O que aconteceu foi uma falha de comunicação com nossa parceira [Asus], que não acontecerá novamente”. Barra não soube dizer se o aparelho ainda vem ao Brasil, mas depois dessa, é difícil acreditar que ele apareça. Faz sentido: por R$1.300, é possível comprar um iPad 4 em promoção. Se nos EUA o diferencial máximo do Nexus 7 foi criar um novo patamar de dinheiro a ser gasto em tablets, por aqui o Google a Asus não conseguiram passar perto disso.

Barra aproveitou para deixar claro que o Galaxy X não é um Nexus. Explicando: por problemas judiciais com a marca Nexus, o Google teve de atrasar o lançamento dos aparelhos por aqui. Para não perder o filão com o bom Galaxy Nexus, a Samsung decidiu lançá-lo por aqui como Galaxy X. Isso significa que quem cuidava das atualizações, modificações e outras questões do aparelho era estritamente a Samsung — o que explica a demora incomum da atualização do aparelho para a versão 4.2 por aqui. Com o Nexus 4, a promessa do Google de o aparelho ser o primeiro a receber as atualizações se mantém.

E esse preço do Nexus 4?

Sobre o sonhado subsídio, Barra foi direto ao dizer que “não há subsídio de forma alguma. Não é um formato economicamente viável para o Google”. Não há também previsão de que o aparelho chegue às operadoras — segundo barra, o timing delas é diferente da velocidade do Google, e o processo de acomodação atrasa ainda mais os lançamentos. Ou seja, temos o Nexus 4 vendido em três lojas por R$1.699.

Mas assim como o Nexus 7, o Nexus 4 também tem feito muito sucesso lá fora por causa de seu preço: nos EUA, ele custa US$299 (modelo de 8GB, que não chegará no Brasil) e US$349 (modelo de 16GB, o único que será fabricado aqui). A diferença de preço em comparação a outros aparelhos topo de linha, como o iPhone 5 e o Galaxy S III, era gritante — ele custava praticamente a metade do preço dos aparelhos desbloqueados. Para ser mais exato,  o valor do Nexus de 16GB é 53% do preço iPhone 5 com o mesmo espaço interno. Praticamente a metade.

O preço de R$1.699 do Nexus 4 no Brasil, no entanto, não é nada revolucionário para o mercado nacional, mas no fim das contas, ele é o topo de linha mais barato por aqui. Isso acontece principalmente pelo temeroso cenário do preço de smartphones no Brasil: com o iPhone 5 e o Galaxy S4 custando R$2.399 nas versões de 16GB, o valor do Nexus 4 em relação a ambos é 70%. Não é quase a metade do preço como nos EUA, e não esconde o fato de ele custar mais do que o dobro do valor convertido, mas é hoje o smartphone mais completo pelo preço. Se isso é bom ou ruim, depende do quão pessimistas formos ao pensar em como será o mercado de smartphones topo de linha no Brasil nos próximos anos.

E um vídeo da apresentação

A apresentação de cerca de uma hora na sede do Google Brasil, em São Paulo, teve muitos tutoriais de truques para o Android, comentário ácido sobre a presidenta e piadinhas. O destaque fica pra parte das havaianas, mas é melhor você ver com seus próprios olhos:

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Fotos e vídeo por Pedro Hassan.